No último domingo foi realizado o primeiro turno das eleições presidenciais na França. O atual presidente Sarkozy e o candidato socialista, François Hollande, disputarão o segundo turno. Tudo normal, se olharmos apenas os dois nomes que polarizaram a disputa. Mas, se olharmos para o terceiro lugar na disputa do primeiro turno, as coisas já não parecerão mais normais. A Candidata do fascita Front Nacional, Marine Le Pen, fez nada mais nada menos que 17,9% dos votos. E, se olharmos as eleições presidenciais anteriores, nossa preocupação será ainda maior. Nas últimas eleições, o Front Nacional, tendo como candidato o pai de Marine, Jean Marie Le Pen, foi para o segundo turno. Nas últimas eleições, o paritido assumidamente fascista francês (outros gostariam de ser, mas tem vergonha de dizê-lo) tem conseguido o apoio de um em cada quatro franceses. Para um país que diz pátria dos direitos humanos e da democracia, isso é realmente preocupante. Ou então, mostra aquela parcela do “sprit français” que muitos franceses não querem mostrar nem ver.
Folha.com – Mundo – Le Pen condiciona apoio a Sarkozy a aliança para legislativo – 26/04/2012
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Os grandes também caem…
Depois do Barcelon, foi hoje a vez do Real Madrid cair diante do Bayern. Isso prova mais uma vez que, no futebol, não há times imbatíveis e que resultados imprevisíveis também podem ser possíveis, ou seja, também tem sua previsibilidade.
Dizer que “a força venceu a arte”, além de ser um lugar comum, é um desrespeito para com os jogadores do Chelsea e do Bayern. Para conter times como o do Barcelona e do Real, é necessário ter arte, mesmo que seja a arte da força de conter e vencer quem vem com mais arte. Ou seja, elogios merecidos aos times ingleses e alemão.
O que resta agora, é esperar a final e, confortavelmente sentada no sofá, assistir ao jogo da arte dos dois times que conseguiram conter a força de Barcelona e Real. Com certeza, será um espetáculo.
P.S.: talvez alguns estranhem o fato de eu postar algo sobre futebol. Gosto de futebol, com arte e, se a arte inclui a força, melhor!
A piada pronta do conservadorismo
A piada pronta do conservadorismo
O movimento que avisto, no entanto, é averso à TFP. Mas segue a doutrina de seu fundador em um instituto com o nome de Oliveira. “A TFP está na mão de dissidentes, que seguiram a linha da esquerda católica. Não podemos nos aliar a eles, somos da mais estrita doutrina católica”, prega Daniel Martins, assessor de imprensa do grupo.
A afirmação soa como piada. A TFP, como uma das organizadoras da “Marcha da Família com Deus Pela Liberdade” – que em 1964 convocou os militares a tomarem o poder no Brasil -, teria urticária à esquerda. Mantém dela, portanto, uma distância minimamente “segura”.
Abordo Martins poucos segundos após ele terminar de tocar sua gaita de foles. Uniformizado, ele vira a outros integrantes de um grupo de 35 pessoas e diz com voz empossada: “Um folheto para o rapaz, por favor. E um livro também.”
“Esses são os livros da campanha, pelos quais denunciamos a ação do movimento abortista e do movimento homossexual. É uma campanha pacífica, pois a atuação deste grupos leva a uma perseguição religiosa no Brasil”, esbraveja.
Com semblante sério, o militante faz referência à recente decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) em permitir o aborto em casos de fetos anencéfalos. “Digamos que [a criança] vai morrer minutos depois do parto, por que não deixá-la morrer? Por que fazer o aborto? Para abrir as portas para outros tipos de aborto”, defende, apesar das evidências científicas da impossibilidade de sobrevivência do feto nestes casos.
Martins tenta embasar seu argumento e envereda para caminhos conspiratórios. “Muitos dados são produzidos pelas ONGs abortistas, para abrir o campo para a eugenia e o infanticídio sob o pretexto falacioso de que é direito da mulher escolher.”
O aborto é inaceitável, conclui, sem delongas. Não demora também para buscar inspiração no absurdo: “Hitler começou assim, matou os deficientes e depois os velhos. É uma manobra internacional (pela defesa dos direitos individuais) com a pressão da ONU para impor no Brasil uma prática contrária ao povo.”
O assessor de imprensa, de 25 anos, há uma década no movimento, mostra-se eficientemente doutrinado. Cita o Projeto de Lei Complementar 122, a chamada Lei da Homofobia, como uma sentença de prisão a “quem é contra a prática homossexual, mesmo que pacificamente.”
“Uma mãe de família que contrata uma babá para os seus filhos e percebe que ela é lésbica, não pode demití-la. Mesmo cumprindo todos os direitos trabalhistas, porque essa lei diz que ela pode pegar entre dois e cinco anos de cadeia”, brada. Parece desconhecer, no entanto, que a Constituição brasileira não permite a discriminação por sexo, cor ou sexualidade. As placas dos elevadores parecem estar sendo ignoradas.
Enquanto caminha pela Avenida Paulista, Martins defende que o homossexualismo é um vício e, como tal, não pode ser apoiado pelo Estado. “Há tratamento uma vez que a pessoa se viciou, muitas vezes por causa da má companhia. Temos curas e no livro há vários casos e doutores que fazem esse tratamento.”
“Eles (como se refere aos homossexuais), não querem que ninguém fale ou faça nada contra eles. A Igreja pode falar dentro de suas portas, mas fora não.” Curiosamente, não era possível avistar mulheres no grupo.
Mas e os ateus ou agnósticos contrários ao homossexualismo?, questiono.
“A maior parte da população brasileira é católica ou cristã. A maioria também é contra [o homossexualismo], então a lógica da democracia diz que seria justo legislar para ela. Não queremos um Estado que protege, prolifera e ensina nossas crianças o homossexualismo.” A democracia também prega a defesa de grupos minoritários e excluidos.
Nos panfletos, o grupo vai além e diz que a adoção de uma criança por casal homossexual prejudica sua educação e que essa faixa da população é responsável por uma epidemia de AIDS, pela qual os “aidéticos” (termo abolido há tempos da medicina por ser depreciativo aos portadores da doença) precisam de um tratamento caro e oneroso aos contribuintes.
Cisma: fundamentalistas católicos a um passo do acordo
Cisma: fundamentalistas católicos a um passo do acordo – Notícias DomTotal
“Recebemos uma resposta, ontem, efetivamente diferente das anteriores. Isso representa um passo à frente, uma evolução encorajadora”, explicou o jesuíta Federico Lombardi, porta-voz da Santa Sé.
A FSSPX, disse ele, também ofereceu “propostas e requerimentos” relativos ao “preâmbulo doutrinário” apresentado à fraternidade em setembro, pedindo algumas “explicações”.
Segundo o padre Lombardi, a resposta romana deverá ser divulgada em algumas semanas, tempo necessário para um exame por parte da Congregação para a Doutrina da Fé (CDF), sem dúvida no final de abril, e para que o Papa a analise e anuncie a decisão: “como não temos essas respostas, não podemos falar de um processo concluído”.
Num comunicado publicado em seu site DICI, a Fraternidade destacou que a resposta enviada a Roma é apenas “uma etapa, não um epílogo”.
Há alguns dias, correm alguns comentários sobre um acordo certo entre o Vaticano e esses fundamentalistas, destacando que eles baixaram o tom de suas críticas. Um vaticanista, Andrea Tornielli, afirmou na noite desta terça-feira que a resposta “será positiva”.
“A realidade é outra”, reagiu a FSSPX, num comunicado lacônico, ao mesmo tempo em que a Fraternidade arrisca a se dividir, com uma parte permanecendo rebelde ao poder da Santa Sé.
Fundada em 1970 em Ecône, na Suíça, por Monsenhor Marcel Lefebvre (falecido em 1991) e separada de Roma desde 1988, conta com 550 padres, num momento em que eles faltam à Igreja romana.
Alguns desejam se juntar aos numerosos tradicionalistas. Outros consideram que eles formam a única “verdadeira Igreja”, que Roma é inspirada pelo “diabo” e vítima de “um cisma progressista”.
Os que querem voltar ao seio da Igreja Católica poderão se beneficiar de uma “prelazia pessoal” sob a autoridade direta do Papa, como a que foi concedida ao movimento conservador Opus Dei.
O Papa faz da resolução desse cisma uma prioridade, fazendo muitas concessões. Em 1988, ele não se conformou com o fracasso das negociações que conduziu pessoalmente com Monsenhor Lefebvre.
Joseph Ratzinger levantou em janeiro de 2009 a excomunhão de quatro bispos da Fraternidade, entre eles o britânico Richard Williamson, conhecido por seus propósitos negacionistas sobre o extermínio dos judeus – uma medida que motivou muitos protestos.
Ratzinger também respondeu a duas outras reivindicações: autorizar a missa em latim da época anterior ao Concílio e abrir discussões doutrinais.
Essas negociações foram muito difíceis, com a Fraternidade questionando com insistência o Concílio Vaticano II (1962/65), visto por eles como um “desastre”.
Segundo eles, alguns desses textos essenciais, aprovados por 2.500 bispos entre 1962 e 1965, não são válidos: os sobre a liberdade religiosa, o colegiado dos bispos, o ecumenismo.
Destacam que não têm valor dogmático. O Vaticano aceita que possa ser aberto um debate sobre algumas formulações, mas não sobre o fundo.
O texto discutido há meses insiste na obrigação de todos os dissidentes aceitarem a “profissão de fé” da Igreja e o magistério do Papa e dos bispos.
Segundo Der Spiegel, os fundamentalistas não vão exigir mais que Roma volte atrás sobre as reformas do Concílio, registrando, simplesmente, a existência de divergências.
As apostas são vultosas, principalmente na França, onde a FSSPX passou por um desenvolvimento maior, nutrido pela herança da Ação Francesa.
Mas a reintegração dos fundamentalistas, que teriam uma concepção antiquada das relações Igreja-Estado e, com frequência, pontos de vista antissemitas, poderia mergulhar algumas Igrejas, principalmente a da França, numa crise.
População autodeclarada indígena cresceu 178% em três décadas, diz IBGE
BBC Brasil – Notícias – População autodeclarada indígena cresceu 178% em três décadas, diz IBGE
Atualmente, segundo o órgão, os indígenas representam 0,4% da população brasileira.
Em comparação ao Censo de 2000, a população indígena cresceu 11,4% (ou 84 mil pessoas), de 734.127 para 817.963, número bem menos expressivo do que no período 1991/2000, que registrou um aumento de 150% (ou 440 mil pessoas), de 294.131 para 734.127. De acordo com o IBGE, ainda que os povos indígenas tenham experimentado crescimento acelerado em função de altas taxas de fecundidade, os dados do Censo de 2000 superaram as expectativas, com um ritmo de crescimento anual de 10,8% no período 1991/2000.
Tal fato refletiria o aumento do número de pessoas que, em 1991, se identificaram em outras categorias de “cor” ou “raça” e que, em 2000, passaram a se identificar como indígenas.
O IBGE credita esse fenômeno ao processo de “etnogênese” ou “reetinização”, quando “os povos indígenas reassumem e recriam suas tradições, após terem sido forçados a escondê-las e a negar suas identidades tribais como estratégias de sobrevivência”.
População indígena no Brasil
Urbana: 71.026
Rural: 223.105
Total: 294.131
2001
Urbana: 383.298
Rural: 350.829
Total: 734.127
2010
Urbana: 315.180
Rural: 502.783
Total: 817.963
Fonte: IBGE
Já os resultados do Censo 2010 revelaram, na comparação com 2000, um ritmo de crescimento anual de 1,1%.
Área Urbana x Área Rural
O Censo de 2010 também revelou que a maior parte dos indígenas (502.783 ou 61,5% da população total) reside atualmente em áreas rurais, enquanto que 315.180 moram em áreas urbanas (ou 38,5%).
Segundo o IBGE, há cada vez menos pessoas se autodeclarando indígenas nas cidades. Em 1991, esse contingente somava 71.026 pessoas, passou para 383.298 em 2000 e caiu para 315.180 em 2010.
A redução de 68 mil pessoas, a maior parte proveniente na região Sudeste, deve-se, segundo o IBGE, ao fato de que muitas pessoas deixaram de se classificar como indígenas nas cidades por não ter afinidade com seu povo de origem.
Por outro lado, no campo, o número de indígenas totalizava 223.105 em 1991, subiu para 350.829, em 2000, e chegou a 502.783 em 2010.
Entre as grandes regiões do país, a região Norte se manteve na liderança nos Censos de 1991 (42,2%), 2000 (29,1%) e 2010 (37,4%). A região também se destacou na área rural, com 50,5%, 47,6% e 48,6%, respectivamente.
Já no segmento urbano, o Sudeste concentrava 35,4% da população indígena em 1991 e 36,7% em 2000, mas o Nordeste passou a ter maior contingente de indígenas em cidades em 2010, com 33,7%.
Amazonas na dianteira
Em números absolutos, o Amazonas concentra a maior população indígena do país (168,7 mil pessoas, ou 20,6% do total), enquanto a menor está no Rio Grande do Norte (2,5 mil ou 0,3% do total).
Apenas seis estados registraram, em 2010, mais de 1% de população autodeclarada indígena (Acre, Amapá, Amazonas, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Roraima).
Por outro lado, 13 unidades da Federação apresentaram taxas de população indígena abaixo da média nacional (0,4%).
O Amazonas também lidera o ranking de municípios com maior população indígena. Dos dez primeiros, seis estão localizados no estado. O primeiro lugar ficou com São Gabriel da Cachoeira, com 29.017 indígenas, segundo o Censo de 2010.
No tocante à população relativa, ou seja, a proporção da população indígena na população total por municípios, quem encabeça a lista dos municípios é Uiramutã, em Roraima, onde 88,1% do total de habitantes se consideraram indígenas em 2010.
Expansão
A população indígena não só aumentou, como também se expandiu nas últimas três décadas. Segundo o Censo de 1991, em 34,5% dos municípios brasileiros, residia pelo menos um indígena autodeclarado.
No Censo de 2000, essa taxa cresceu para 63,5% e, de acordo com o Censo de 2010, chegou a 80,5% dos municípios brasileiros.
Bento XVI em seu aniversário
Habemus Papam
Anos depois, caiu-me em mãos um belo conto do russo Leonid Andreiev sobre o mesmo tema: “A Conversão do Diabo”. Um demônio meio chinfrim, entediado com suas diabruras numa pequena igreja de Florença, resolve procurar o padre para que este lhe ensine o que é “fazer o bem”. Começam a debater o assunto e, a certa altura, o pároco lhe recomenda: “Fazer o bem é: se te pedem a camisa, dê, embora não tenhas outra; se te dão uma bofetada, oferece a outra face. É muito simples!”
Duas semanas depois, retorna o diabo todo machucado, mas com uma camisa nova. Um velho tinha lhe batido na cabeça com a bengala e ele devolveu a pancada. “Não me deram na cara, mas na cabeça. Se fosse no rosto, saberia como fazer…” Quanto à camisa branquinha, tinha comprado para dá-la se alguém pedisse, mas ninguém o fizera. “Mas te pediram pão?”, pergunta o padre, exasperado. “Sim. Não dei porque esperava que me pedissem a camisa…” É um conto incrível, que mostra como até “fazer o bem” é relativo.
Outra grande obra anti-maniqueísta é “O Visconde Partido ao Meio”, de Ítalo Calvino, a fábula do cavaleiro Medardo di Terralba, que recebe um tiro de canhão e sai pelo mundo manquitolando, dividido em duas partes: uma totalmente boa e outra totalmente má. É fascinante como acabamos por ganhar certa antipatia do bonzinho e a torcer pelo malvado, porque o bem soa falso para quem não é beneficiado por ele. O mal, não, é verdadeiro porque atinge todo mundo igualmente, sem diferença.
Conto tudo isso para chegar a “Habemus Papam”, do italiano Nanni Moretti, o filme que descreve o desespero de um homem, ungido papa, que entra em crise na hora de se acercar ao balcão para anunciar sua escolha ao mundo. O cardeal Melville se sente pequeno, demasiado humano, para levar em frente a tarefa colossal de ser o guia de milhões de católicos, “representante de Deus” sobre a face da Terra. Não acha que merece, não se sente digno. É um homem bom no sentido místico do termo: frágil, falho, cheio de dúvidas, e humilde. Havia feito na vida inclusive “algumas bondades”, segundo conta. Moretti retrata na película a igreja “ideal” de nossos sonhos pueris, com freiras e padres contentes e desprovidos de vaidade, amigos entre si a mais não poder, como colegas de grêmio estudantil que costumam jogar bola na hora do recreio. E no filme eles jogam, mesmo. Enquanto contam seus prosaicos dramas ao psicanalista (vivido por Moretti) contratado para cuidar do sumo sacerdote, o próprio papa está perdido nas ruas, revisitando seu passado de ser humano, sem a proteção da Igreja e de ninguém, abandonado naquele momento talvez até por Deus. “Ser ou não ser papa?”, se pergunta nosso Hamlet de batina.
O cardeal guarda algumas semelhanças com o Jesus Cristo do “Evangelho” de José Saramago, que também se revolta diante da enormidade de sua muitas vezes cruel tarefa (aliás, no livro o diabo tampouco é pintado como “ruim”). Sempre me surpreendeu a resistência da Igreja Católica a um Cristo tão humano, que a mim parece bem mais próximo das pessoas do que aquele do Novo Testamento, um tanto marqueteiro em minha opinião – aquele negócio de dizer para uns “não conte para ninguém” e para outros “espalhe a boa nova”, me perdoem, é estratégia típica de marketing político.
O papa e os religiosos de Nanni Moretti me dão a impressão de serem todos homens de fé, regidos pela bondade, exatamente ao contrário da imagem que nós, não-católicos (e mesmo alguns católicos), costumamos ter do Vaticano: um lugar um tanto lúgubre, repleto de pessoas extremamente vaidosas e loucas para serem papas no lugar do papa. Onde a bondade é um norte a ser seguido nas palavras da homilia, mas não no dia a dia das relações políticas da igreja, dominada por disputas egocêntricas, traições e vendetas, como qualquer outra arena de poder.
Olho para Bento 16, o alemão Joseph Ratzinger, todo apegado a seus dogmas milenares sob a sotaina dourada, e nada enxergo da humildade e da humanidade do cardeal Melville. Vejo um sacerdote poderoso, soberbo, seguro de si e impávido ante as mudanças do mundo que ocorrem céleres à sua frente, de braços cruzados diante dos fiéis que lhe pedem respostas urgentes a tantos dramas tão atuais. Uma semi-divindade sem absolutamente nenhuma vontade de dizer “sim”. E me pergunto: o papa é um homem bom?
Milícia que derrubou ex-presidente do Haiti volta a se mobilizar no país
Luis Kawaguti

As principais exigências da milícia são a recriação do Exército – uma promessa do atual presidente Michel Martelly – e o pagamento de pensões a militares reformados.
O governo haitiano e a Polícia Nacional tentam resolver o impasse de forma pacífica, segundo o general brasileiro Fernando Rodrigues Goulart, comandante da missão de paz da ONU no Haiti.
Ele afirmou à BBC Brasil que as forças internacionais acompanham a negociação à distância, mas podem intervir se necessário.
“Estamos preparados para cumprir qualquer tarefa”, disse Goulart.
Dos 10.700 militares em missão de paz da ONU no Haiti, 2.132 são brasileiros.
Mobilização
O Exército haitiano foi dissolvido em 1995 pelo então presidente Aristide, que temia sofrer um golpe militar.
Em 2004, uma milícia de ex-militares se aliou ao grupo 184 (bloco político de direita) e conquistou militarmente o norte do país. Aristide deixou o poder dias depois e a ONU enviou capacetes azuis ao Haiti.
Os ex-militares operaram ilegalmente até 2005, quando foram desbaratados por forças da ONU. Seu líder, Remissanthe Ravix, foi morto pela polícia.
Porém, no fim do ano passado jovens interessados em integrar o novo Exército prometido por Martelly se juntaram a ex-militares para pressionar o governo. Eles ocuparam bases militares abandonadas e começaram a treinar.
Liderança
Armados e fardados, invadiram edifícios públicos em março de 2012. O maior deles é o escritório da Secretaria de Agricultura, em Cap Haitien (segunda maior cidade do Haiti), que permanece ocupado.
O movimento não tem uma liderança clara. O assessor do governo haitiano, Georges Michel, estimou o grupo em 15 mil integrantes e recomendou ao presidente criar um comando militar interino para preencher o vácuo de poder.
Em meio a uma crise política, Martelly vem pedindo calma e orientando os ex-militares a voltarem às suas casas enquanto o governo toma uma decisão sobre a recriação do Exército.
No último dia 29, Guy Philippe, o ex-líder do golpista grupo 184, disse em entrevista a uma rádio local que os ex-militares devem chegar em breve aos 30 mil homens.
“Eles têm armas e são treinados. Caso se tornem um Exército livre ninguém será capaz de controlá-los”, disse.
Segurança
Apesar da turbulência política, a situação de segurança no país permanece estável, segundo o general Goulart.
“Tivemos recentemente relatos de tiros em Cité Soleil [principal favela haitiana], mas quando nossa tropa chegou ao local indicado não havia mais nada”. Segundo ele não há região do país onde as tropas da ONU não operem.
Ordenação de Mulheres na Igreja Católica Romana
Para quem quiser manter-se atualizado a respeito da prática de ordenação presbiteral de mulheres na Igreja Católica Romana, uma boa sugestão é seguir o seguinte link: ARCWP Home
CNBB convoca Vigília às vésperas do julgamento do STF
Aborto de anencéfalos: CNBB convoca Vigília às vésperas do julgamento do STF
Aproveitando a proximidade entre a data do julgamento e um período santo no calendário cristão, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) enviou na sexta-feira Santa 6 uma carta convocando todos os bispos do Brasil para uma “Vigília de Oração pela Vida”. O ato começou nesta terça-feira 10 e só acaba no dia seguinte, às 18 horas.
Na carta, a CNBB argumenta que os fetos anencéfalos “erroneamente, têm sido interpretados como não possuindo todo o encéfalo, situação que seria totalmente incompatível com a vida, até mesmo pela incapacidade de respirar. Tais circunstâncias, todavia, não diminuem a dignidade da vida humana em gestação.”
“Entendemos que os princípios da “inviolabilidade do direito à vida”, da “dignidade da pessoa humana” e da promoção do bem de todos, sem qualquer forma de discriminação, (cf. art. 5°, caput; 1°, III e 3°, IV, da Constituição Federal) referem-se também aos fetos anencefálicos”, prossegue o documento.
Racha na bancada religiosa Embora nas mãos do Judiciário, a questão também movimenta o Congresso. Em um artigo com o título “O Silêncio do Santos”, o deputado federal e pastor Marco Feliciano (PSC-SP) criticou a suposta indiferença mostrada por evangélicos em relação ao assunto.
O texto, publicado em seu blog, faz uso da máxima de Martin Luther King “não tenho medo do barulho dos maus, mais me apavora o silêncio dos bons”, que resume o descontentamento de Feliciano com a bancada evangélica.
Segundo o deputado, “faltam pensadores, faltam pessoas que se dediquem, faltam os profetas” em referência à falta de militância dos evangélicos. “E pasmem, não estou falando de pró-abortistas, mas de alguns pseudos-santos-cristãos, que vociferaram dizendo: Mas nessa vigília terá um andor com uma imagem”, completa.
Prévias favoráveis à descriminalização
De acordo com a colunista Mônica Bergamo, da Folha de S.Paulo, quatro ministros do STF anunciaram que votarão a favor da descriminalização do aborto em casos de anencefalia.
Segundo a jornalista, os ministros que apoiam a legalização são Ayres Britto, Celso de Mello, Marco Aurélio Mello e Joaquim Barbosa. Com isso, apenas dois votos bastariam para aprovar a descriminalização.
O aborto em casos de anencefalia é defendido por movimentos feministas e cientistas, sob o argumento de que o bebê não consegue sobreviver após o parto. No entanto, o procedimento é condenado pela Igreja Católica.



