Negros são maioria da classe média ascendente

A classe média já corresponde a 52% da população brasileira. São 104 milhões de pessoas – o equivalente ao total de indivíduos que vivem Alemanha – que, juntas, terão movimentado, até o fim de 2012, cerca de 665 bilhões de reais, uma renda superior ao PIB de países como a Suíça ou Portugal.

De acordo com pesquisa divulgada pelo instituto, a nova geração vai movimentar a maior parte da renda dessa classe em 2022 Foto: Agência Brasil

E dentro deste cenário, são os negros os principais protagonistas. De acordo com uma pesquisa divulgada na segunda-feira 12 pelo Instituto Data Popular, na última década, 75% dos que ascenderam socialmente a esta classe são negras. As mulheres também tiveram uma importância significativa nesse novo paradigma social. Nos últimos dez anos, a massa de renda delas cresceu 60% a mais do que a dos homens. Dos 737 bilhões de reais arrecadados pelo sexo feminino, 262 bilhões vieram das brasileiras que fazem parte da classe média.

Mas é a juventude que deve consolidar todas essas mudanças. Segundo o estudo, existem hoje no Brasil 42 milhões de jovens entre 18 e 30 anos, sendo que 55% deles se encontram na classe média. São pessoas que ajudam mais com as despesas da casa do que indivíduos da mesma faixa etária e que são da elite, por exemplo.

A pesquisa também mostra que é justamente essa nova geração que vai movimentar a maior parte da renda dessa classe em 2022. De acordo com o instituto, esse grupo também será mais escolarizado e com mais empregos que oferecem maior perspectiva de carreira do que a geração anterior.

Mais escolarizado, eles têm acesso a ocupações que exigem maior qualificação e, consequentemente, oferecem melhores salários. 82% dos jovens da classe média acreditam que a principal função da faculdade é melhorar o currículo. E eles também estão mais conectados (46% não conseguem imaginar a vida sem internet) e bem-informados (78% declaram que têm pleno conhecimento das notícias atuais).

Valores

A classe média acredita no voto como ferramenta de poder em relação ao Estado. 67% concordam que o voto pode melhorar a política brasileira. Apesar disso, mais da metade da classe média afirma que preferiria uma ditadura competente a uma democracia incompetente.

A percepção sobre “felicidade” de todas as gerações da classe média tem como fator condicionante a constituição de uma família. Também para os dois grupos, autonomia e realização pessoal são valores envolvidos no desejo de abrir um negócio: 56% da nova geração afirma que é “sempre melhor ter o próprio negócio do que trabalhar para os outros”.

As opiniões sobre aborto e pena de morte também não tendem a mudar se não houver mudança na legislação ou pauta na agenda pública. 83% dos jovens acreditam que “ninguém além de Deus tem o direito de tirar a vida de uma pessoa”. Contudo, mais da metade daqueles que participaram é a favor da pena de morte.

Mas a nova geração tende a ser mais tolerante para assuntos que já são pauta de legislação ou de políticas públicas. Metade dos jovens acredita que casais do mesmo sexo devem ter mesmos direitos de casais heterossexuais, enquanto apenas 26% da geração anterior compartilha dessa opinião. A homossexualidade tende a diminuir seu status de tabu dentro da família. 52% afirma que aceitaria tranquilamente ter um filho gay. Apenas 33% do grupo anterior concorda com isso.

Tendências para a próxima década

A pesquisa do Data Popular concluiu que, para 2022, a internet e o celular tendem a ser cada vez mais utilizados para a realização de compras, denúncia das relações de consumo e dos serviços do Estado. Outra tendência é a de que esses jovens saibam poupar mais, influenciados pelo passado de dificuldades financeiras vivido pelos pais.

Os protagonistas de 2022 também tendem a consolidar mudanças no papel do casal dentro do lar. Cada vez mais será esperado que o homem seja mais participativo nas tarefas domésticas e presente nas relações familiares do que no passado. Ainda, será uma geração que valorizará ainda mais a conquista pelo esforço próprio, a meritocracia e o empreendedorismo. O Estado, por sua vez, será cada vez mais visto como regulador do setor privado e o novo cidadão consumidor exigirá cada vez mais e com menos impostos.

Seis em cada dez brasileiros da classe média acreditam que a vida melhorou nos últimos anos. E 81% apostam que em 2013 essa tendência deve continuar.

O “mensalão” tucano

Mino Carta

A mídia nativa entende que o processo do “mensalão” petista provou finalmente que a Justiça brasileira tarda, mas não falha. Tarda, sim, e a tal ponto que conseguiu antecipar o julgamento de José Dirceu e companhia a um escândalo bem anterior e de complexidade e gravidade bastante maiores. Falemos então daquilo que poderíamos definir genericamente como “mensalão” tucano. Trata-se de um compromisso de CartaCapital insistir para que, se for verdadeira a inauguração de um tempo novo e justo, também o pássaro incapaz de voar compareça ao banco dos réus.

A privataria. Não adianta denunciar os graúdos: a mídia nativa cuida de acobertá-los

Réu mais esperto, matreiro, duradouro. A tigrada atuou impune por uma temporada apinhada de oportunidades excelentes. Quem quiser puxar pela memória em uma sociedade deliberadamente desmemoriada, pode desatar o entrecho a partir do propósito exposto por Serjão Motta de assegurar o poder ao tucanato por 20 anos. Pelo menos. Cabem com folga no enredo desde a compra dos votos para a reeleição de Fernando Henrique Cardoso, até a fase das grandes privatizações na segunda metade da década de 90, bem como a fraude do Banestado, desenrolada entre 1996 e 2002.

Um best seller intitulado A Privataria Tucana expõe em detalhes, e com provas irrefutáveis, o processo criminoso da desestatização da telefonia e da energia elétrica. Letra morta o livro, publicado em 2011, e sem resultado a denúncia, feita muito antes, por CartaCapital, edição de 25 de novembro de 1998. Tivemos acesso então a grampos executados no BNDES, e logo nas capas estampávamos as frases de alguns envolvidos no episódio. Um exemplo apenas. Dizia Luiz Carlos Mendonça de Barros, presidente do banco, para André Lara Rezende: “Temos de fazer os italianos na marra, que estão com o Opportunity. Fala pro Pio (Borges) que vamos fechar daquele jeito que só nós sabemos fazer”.

Afirmavam os protagonistas do episódio que, caso fosse preciso para alcançar o resultado desejado, valeria usar “a bomba atômica”, ou seja, FHC, transformado em arma letal. Veja e Época foram o antídoto à nossa capa, divulgaram uma versão, editada no Planalto e bondosamente fornecida pelo ministro José Serra e pelo secretário da Presidência Eduardo Jorge. O arco-da-velha ficou rubro de vergonha, aposentadas as demais cores das quais costuma se servir.

Ah, o Opportunity de Daniel Dantas, sempre ele, onipresente, generoso na disposição de financiar a todos, sem contar a de enganar os tais italianos. Como não observar o perene envolvimento desse monumental vilão tão premiado por inúmeros privilégios? Várias perguntas temperam o guisado. Por que nunca foi aberto pelo mesmo Supremo que agora louvamos o disco rígido do Opportunity sequestrado pela PF por ocasião da Operação Chacal? Por que adernou miseravelmente a Operação Satiagraha? E por que Romeu Tuma Jr. saiu da Secretaria do Ministério da Justiça na gestão de  Tarso Genro? Tuma saberia demais? Nunca esquecerei uma frase que ouvi de Paulo Lacerda, quando diretor da PF, fim de 2005: “Se abrirem o disco rígido do Opportunity, a República acaba”. Qual República? A do Brasil, da nação brasileira? Ou de uma minoria dita impropriamente elite?

Daniel Dantas é poliédrico, polivalente, universal. E eis que está por trás de Marcos Valério, personagem central de dois “mensalões”. Nesta edição, Leandro Fortes tece a reportagem de capa em torno de Valério, figura que nem Hollywood conseguiria excogitar para um policial noir. Sua característica principal é a de se prestar a qualquer jogo desde que garanta retorno condizente. Vocação de sicário qualificado, servo de amos eventualmente díspares, Arlequim feroz pronto à pirueta mais sinistra. Não se surpreendam os leitores se a mídia nativa ainda lhe proporcionar um papel a favor da intriga falaciosa, da armação funesta, para o mal do País.

Pois é, hora do dilema. Ou há uma mudança positiva em andamento ou tudo não passa de palavras, palavras, palavras. Ao vento. É hora da Justiça? Prove-se, de direito e de fato. E me permito perguntar, in extremis: como vai acabar a CPI do Cachoeira? E qual será o destino de quem se mancomunou com o contraventor a fim de executar tarefas pretensamente jornalísticas, como a Veja e seu diretor da sucursal de Brasília, Policarpo Jr., uma revista e um profissional que desonram o jornalismo.

Bispos ajudaram Romney a… perder

A opinião é de Massimo Faggioli, doutor em história da religião e professor de história do cristianismo da University of St. Thomas, em Minneapolis-St. Paul, nos EUA.

 


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Onde os católicos norte-americanos podiam fazer a diferença – Flórida, Pensilvânia, Wisconsin, Ohio –, eles escolheram Obama, embora a maioria dos católicos brancos tenha se inclinado por Romney e os não brancos por Obama.

A nomeação de um candidato à vice-presidência visivelmente católico da nova leva dos “valores inegociáveis” como Paul Ryan ajudou Romney exatamente como os bispos o ajudaram: ajudaram Romney a perder. A Conferência Episcopal norte-americana lançara justamente nessa terça-feira, no dia do election day, um novo site dedicado à proteção da liberdade religiosa nos Estados Unidos…

Tanto o Partido Republicano quanto os bispos norte-americanos visaram a uma ideologia social que ignora a realidade social e a demografia dos Estados Unidos do século XXI. A contaminação entre republicanos e a ideologia anarcoindividualista do Tea Party produziu uma reação que levou a um repentino revival do Catholic social thought, que falou aos indecisos e aos centristas muito mais do que o extremismo da retórica anti-Obama (muitas vezes beirando o racismo).

Dos resultados eleitorais da noite do dai 6 de novembro, poderia parecer que os Estados Unidos reelegeram um candidato apontado pela hierarquia católica norte-americana como a maior ameaça à liberdade religiosa dos católicos. A partir de amanhã, os bispos norte-americanos recomeçarão do zero: para reconquistar a política norte-americana e para recomeçar a falar com a sua Igreja.

Massimo Faggioli, artigo foi publicado no jornal Europa, 07-11-2012.

Comissão da Verdade vai discutir atuação de igrejas durante a ditadura

Comissão Nacional da Verdade criou um grupo de trabalho para analisar o papel das igrejas Católica e evangélicas durante o regime militar (1964-1985). A primeira reunião será na quinta-feira 8 em São Paulo. O grupo pretende aprofundar as discussões sobre a atuação que as igrejas e os religiosos tiveram tanto na resistência ao regime militar quanto na colaboração com a repressão.

O trabalho do grupo será todo desenvolvido com a assessoria de pesquisadores autônomos e da sociedade civil especializados em ciências da religião, história e sociologia. No primeiro encontro, eles apresentarão os temas de pesquisa e farão o planejamento da agenda de trabalho para os próximos meses. A coordenação dos trabalhos é do professor Paulo Sérgio Pinheiro, membro da comissão.

Na próxima semana, entre os dias 16 e 18, a Comissão Nacional da Verdade terá atividades no interior do Pará para averiguar questões referentes à Guerrilha do Araguaia, ocorrida no período de 1960 a 1970. Um dos temas será a análise sobre a atuação na guerrilha da etnia Suruí, que atualmente vive na Terra Indígena Sororó. Há controvérsias sobre o assunto apesar de existir informações sobre a exploração de indígenas desse grupo pelos militares.

Religiões de matriz africana exigem respeito aos seus credos – Notícias DomTotal

Religiões de matriz africana exigem respeito aos seus credos

 

Recife, 06 nov (SIR/G1) – Nesta segunda-feira (5), seguidores de religiões de matriz africana saíram em caminhada no Recife para pedir respeito à escolha religiosa de cada um.

Membros do candomblé, da umbanda e da jurema de vários terreiros de Pernambuco participaram do evento, que saiu da praça do Marco Zero, no Bairro do Recife, e seguiu em direção ao Pátio do Carmo, no bairro de Santo de Antônio. A 6º Caminhada de Terreiros de Pernambuco faz a mobilização para lutar contra o preconceito religioso. “Essa luta vem desde o passado, quando aqui chegamos de África. A luta do povo negro é cotidiano. Estamos pedindo liberdade de expressão, de cultuar nossa religião. Esse momento é de mostrar à sociedade que as religiões do orixás vêm às ruas para mostrar sua beleza e o encanto das divindades”, comentou Marcos Pereira, organizador da caminhada.

De acordo com estimativas, só na Grande Recife existem mais de 2 mil terreiros de religiões de matriz africana.

Apesar dessa grande quantidade, os seguidores sofrem constantemente com a falta de respeito ao livre culto, sendo ameaçados e impedidos de cultuar seus deuses. “Na prática, principalmente em Pernambuco, a lei do silêncio vem calando nossos tambores”, lamentou Pereira. A caminhada desta segunda faz parte das comemorações pelo mês da consciência negra.

Corruptos são os outros!…

Lista aponta 10 ‘práticas de corrupção’ do dia a dia do brasileiro

Mariana Della Barba

Da BBC Brasil em São Paulo

Protesto AFP

Protesto anti-corrupção em Brasília: especialista avalia que jovens estão mais conscientes

Quase um em cada quatro brasileiros (23%) afirma que dar dinheiro a um guarda para evitar uma multa não chega a ser um ato corrupto, de acordo com uma pesquisa realizada pela Universidade Federal de Minas Gerais e o Instituto Vox Populi.

Os números refletem o quanto atitudes ilícitas, como essa, de tão enraizados em parte da sociedade brasileira, acabam sendo encarados como parte do cotidiano.

“Muitas pessoas não enxergam o desvio privado como corrupção, só levam em conta a corrupção no ambiente público”, diz o promotor de Justiça Jairo Cruz Moreira.

Ele é coordenador nacional da campanha do Ministério Público “O que você tem a ver com a corrupção”, que pretende mostrar como atitudes que muitos consideram normal são, na verdade, um desvirtuamento ético.

Como lida diariamente com o assunto, Moreira ajudou a BBC Brasil a elaborar uma lista de dez atitudes que os brasileiros costumam tomar e que, por vezes, nem percebem que se trata de corrupção.

  • Não dar nota fiscal
  • Não declarar Imposto de Renda
  • Tentar subornar o guarda para evitar multas
  • Falsificar carteirinha de estudante
  • Dar/aceitar troco errado
  • Roubar TV a cabo
  • Furar fila
  • Comprar produtos falsificados
  • No trabalho, bater ponto pelo colega
  • Falsificar assinaturas

“Aceitar essas pequenas corrupções legitima aceitar grandes corrupções”, afirma o promotor. “Seguindo esse raciocínio, seria algo como um menino que hoje não vê problema em colar na prova ser mais propenso a, mais pra frente, subornar um guarda sem achar que isso é corrupção.”

Segundo a pesquisa da UFMG, 35% dos entrevistados dizem que algumas coisas podem ser um pouco erradas, mas não corruptas, como sonegar impostos quando a taxa é cara demais.

Otimismo

Mas a sondagem também mostra dados positivos, como o fato de 84% dos ouvidos afirmar que, em qualquer situação, existe sempre a chance de a pessoa ser honesta.

A psicóloga Lizete Verillo, diretora da ONG Amarribo (representante no Brasil da Transparência Internacional), afirma que em 12 anos trabalhando com ações anti-corrupção ela nunca esteve tão otimista – e justamente por causa dos jovens.

“Quando começamos, havia um distanciamento do jovem em relação à política”, diz Lizete. “Aliás, havia pouco engajamento em relação a tudo, queriam saber mais é de festas. A corrupção não dizia respeito a eles.”

No Rio, manifestantes defendem “limpeza” no governo

“Há dois anos, venho percebendo uma grande mudança entre os jovens. Estão mais envolvidos, cobrando mais, em diversas áreas, não só da política.”

Para Lizete, esse cenário animador foi criado por diversos fatores, especialmente pela explosão das redes sociais, que são extremamente populares entre os jovens e uma ótima maneira de promover a fiscalização e a mobilização.

Mas se a internet está ajudando os jovens, na opinião da psicóloga, as escolas estão deixando a desejar na hora de incentivar o engajamento e conscientizá-los sobre a corrupção

“Em geral, a escola é muito omissa. Estão apenas começando nesse assunto, com iniciativas isoladas. O que é uma pena, porque agora, com o mensalão, temos um enorme passo para a conscientização, mas que pouco avança se a educação não seguir junto”, diz a diretora. “É preciso ensinar esses jovens a ter ética, transparência e também a exercer cidadania.”

Políticos x cidadão comum

Os especialistas concordam que a corrupção do cotidiano acaba sendo alimentada pela corrupção política.

Se há impunidade no alto escalão, cria-se, segundo Lizete, um clima para que isso se replique no cotidiano do cidadão comum, com consequências graves. Isso porque a corrupção prejudica vários níveis da sociedade e cria um ciclo vicioso, caso de uma empresa que não consegue nota fiscal e, assim, não presta contas honestamente.

De acordo com o Ministério Público, a corrupção corrói vários níveis da sociedade, da prestação dos serviços públicos ao desenvolvimento social e econômico do país, e compromete a vida das gerações atuais e futuras.

Obama ganhará em quatro estados-chave se hispânicos votarem em massa

Cerca de 73% dos eleitores latinos se declaram favoráveis ao democrata

Pesquisa sugere que Obama obterá porcentagem recorde do voto hispânico<br /><b>Crédito: </b> Jewel Samad / AFP
Pesquisa sugere que Obama obterá porcentagem recorde do voto hispânico
Crédito: Jewel Samad / AFP

Se os eleitores hispânicos comparecerem em massa às urnas, o presidente americano e aspirante democrata à reeleição, Barack Obama, pode vencer em quatro estados-chave: Nevada, Colorado, Flórida e Virgínia, segundo uma pesquisa divulgada nesta segunda-feira. Estes quatro estados combinados representam 57 eleitores dos 270 necessários para obter a vitória nas eleições de terça-feira, que até agora mostram um empate entre Obama e Romney em nível nacional.

As eleições presidenciais americanas são realizadas de forma indireta, através de um Colégio Eleitoral, e historicamente alguns estados são os responsáveis por inclinar a balança. Nevada conta com 6 eleitores, Colorado 9, Flórida 29 e Virgínia 13.

Cerca de 73% dos eleitores hispânicos registrados se declaram favoráveis a Obama e 24% a Romney, segundo o relatório do grupo de meios de comunicação hispânicos ImpreMedia e da LatinoDecisions, uma empresa especializada que durante onze semanas rastreou o voto hispânico. A pesquisa “sugere que o presidente Obama obterá uma porcentagem recorde do voto hispânico, o que, por sua vez, lhe dará a vitória em estados-chave e votos suficientes do Colégio Eleitoral para alcançar a presidência”, explicou o comunicado.

A LatinoDecisions afirma que a motivação dos hispânicos foi crescendo com a disputada campanha eleitoral. “Se Obama conquistar 73% dos votos hispânicos ou mais, ofuscará os 72% obtidos por Bill Clinton em sua reeleição massiva de 1996 e marcará o resultado mais alto registrado até agora por um candidato presidencial democrata”, explicou o relatório.
A pesquisa foi realizada entre os dias 26 de outubro e 1 de novembro entre 300 eleitores hispânicos, em inglês ou espanhol.

Médicos veem relação entre vida urbana e distúrbios mentais

a Deutsche Welle

Barulho, trânsito, lixo, pessoas apressadas e se empurrando por todos os lados – a vida nas grandes cidades é estressante. Mas as perspectivas de um emprego melhor, um salário mais alto e de um estilo de vida urbano atraem cada vez mais pessoas às cidades. Se há 60 anos menos de um terço da população mundial vivia em cidades, hoje mais da metade mora em centros urbanos. Até 2050, a estimativa é que essa cota atinja 70%.

“Com o aumento das populações urbanas, o número de distúrbios psíquicos também tem aumentado em todo o mundo”, alerta Andreas Meyer-Lindenberg, diretor do Instituto Central de Saúde Mental de Mannheim. “Somente a depressão custa aos cidadãos europeus 120 bilhões de euros por ano. O custo de todas as doenças psíquicas juntas, incluindo demência, ansiedade e psicose, ultrapassa o orçamento do fundo de resgate do euro. A frequência e a gravidade dessas doenças costumam ser subestimadas”, afirma.

Somente a depressão custa aos cidadãos europeus 120 bilhões de euros por ano. Foto: Adamina/Flickr

 

Em 2003, psiquiatras britânicos publicaram um estudo sobre o estado psicológico dos moradores do bairro londrino de Camberwell, uma área que teve um grande crescimento desde meados da década de 1960. Entre 1965 e 1997, o número de pacientes com esquizofrenia quase dobrou – um aumento acima do crescimento da população.

Na Alemanha, o número de dias de licença médica no trabalho relacionada a distúrbios mentais dobrou entre 2000 e 2010. Na América do Norte, recentes estimativas apontam que 40% dos casos de licença estão ligados à depressão.

“Nas cidades pode acontecer de as pessoas não conhecerem seus vizinhos, não conseguirem construir uma rede de apoio social como nas vilas e pequenas cidades. Elas se sentem sozinhas e socialmente excluídas, sem uma espécie de rede social de segurança”, observa Andreas Heinz, diretor da Clínica de Psiquiatria e Psicoterapia no hospital Charité, em Berlim.

Quase não existem estudos consistentes sobre a influência do meio urbano no cérebro humano. Mas pesquisas com animais mostram que o isolamento social altera o sistema neurotransmissor do cérebro. “Acredita-se que a serotonina é um neurotransmissor importante para amortecer situações de risco. Quando animais são isolados socialmente desde cedo, o nível de serotonina diminui drasticamente. Isso significa que as regiões que respondem a estímulos ameaçadores são desinibidas e reagem de maneira mais forte, o que pode contribuir para que o indivíduo desenvolva mais facilmente distúrbios de ansiedade ou depressões”, diz Heinz.

Um dos primeiros estudos feitos com seres humanos parece confirmar essa suposição. Com ajuda de um aparelho de ressonância magnética, a equipe do psiquiatra Andreas Meyer-Lindenberg analisou o cérebro de pessoas que cresceram na cidade e de pessoas que se mudaram para a cidade já adultos.

Enquanto os voluntários resolviam pequenas tarefas de cálculo, os pesquisadores os colocavam sob pressão, por exemplo criticando que eles eram muito lentos, cometiam erros ou que eram piores que seus antecessores.

“Olhamos especificamente para as áreas do cérebro que são ativadas quando se está estressado – e que também têm um desenvolvimento distinto, dependendo da experiência urbana que a pessoa teve. Especialmente as amídalas cerebelosas reagiram ao estresse social, e de maneira mais intensa quando o voluntário vinha de um ambiente urbano. Essa região do cérebro está sempre ativa quando percebemos algo como sendo uma ameaça. Elas podem desencadear reações agressivas que podem gerar transtornos de ansiedade”, explica Meyer-Lindenberg.

Além disso, quem cresceu na cidade grande apresentava, sob estresse, em regiões específicas do cérebro, uma atividade semelhante à apresentada por pessoas com predisposição genética para a esquizofrenia.

Pesquisa melhora planejamento urbano

Em todo o mundo, as cidades estão crescendo muito e se transformando. “Mas não existem ainda dados significativos de como uma cidade ideal deve ser quando se leva em consideração a saúde mental de seus habitantes”, observa Meyer-Lindenberg.

Por isso, o especialista desenvolveu, em colaboração com geólogos da Universidade de Heidelberg e físicos do Instituto de Tecnologia de Karlsruhe, um dispositivo móvel que pode testar voluntários em diversos pontos de uma cidade. Assim, os pesquisadores podem testar o funcionamento do cérebro em lugares e situações diferentes, como num cruzamento ou num parque.

Juntamente com posteriores análises do cérebro dos voluntários, os pesquisadores esperam obter dados mais concretos de como o cérebro processa os diferentes aspectos da vida cotidiana nas cidades.

Os resultados dessa pesquisa poderão ser de grande valor para a arquitetura e o planejamento urbano, afirma Richard Burdett, professor de estudos urbanos da London School of Economics. Para ele, o neuro-urbanismo, uma nova área do conhecimento que estuda a relação entre o estresse e as doenças psíquicas, pode ajudar a evitar a propagação de doenças psíquicas nas cidades.

“Planejadores urbanos precisam ter em mente que devem encontrar o equilíbrio entre a necessidade de organizar muitas pessoas em pouco espaço e a necessidade de se criar espaços abertos”, acrescenta.

“As pessoas precisam ter acesso a salas de cinema, encontrar-se com amigos e passear nas margens dos rios. Hoje esses aspectos são, muitas vezes, ignorados quando novas cidades são planejadas na China ou na Indonésia. Os arquitetos se preocupam com as proporções e as formas, e os urbanistas, com a eficiência do transporte público. Mas muitas vezes não temos ideia do que isso faz com as pessoas.”

Uma interessante análise das eleições

 

Fernando Haddad. ReutersHaddad venceu no principal ninho tucano, acendendo um alerta para o PSDB em 2014

A vitória em São Paulo do novato em eleições Fernando Haddad, do PT, sobre uma das principais lideranças do PSDB, José Serra, acende um alerta no chamado “ninho tucano”. A repercussão do resultado, no entanto, vai além dos limites municipais, com forte eco em Brasília, já prenunciando a disputa para a Presidência em 2014.

O PSDB mantem número maior de prefeituras ganhas, 702, se comparado ao PT, com 635 executivos. Os dois partidos também são menos capilarizados que o PMDB, que conquistou 1.024 prefeituras país afora.

Para especialistas ouvidos pela BBC Brasil, os resultados são mais positivos ao PT, sobretudo por causa da vitória paulistana. Berço de petistas e tucanos, a cidade e o Estado de São Paulo tornaram-se uma espécie de fortaleza do PSDB nos últimos anos, frente ao avanço do PT no plano federal.

“O PT sai bastante fortalecido. Já no primeiro turno avancou 14% em número de prefeituras e sobretudo porque venceu na principal cidade brasileira. O PSDB é talvez o maior perdedor. Diminui cerca de 14% e perde São Paulo”, diz o cientista político Francisco Fonseca, da Fundação Getúlio Vargas na capital paulista.

Para Marco Aurélio Garcia, cientista político da Unesp em Franca (SP), “o PSDB é o grande perdedor”, mesmo assegurando prefeituras importantes como as de Belém (PA), Manaus (AM), Maceió (AL) e Teresina (PI).

“O partido perdeu a joia da coroa (São Paulo). Apesar de manter prefeituras importantes, não mostrou um conteúdo programático, nem envergadura nacional. Parece que perdeu um pouco a capacidade de fazer política”, diz.

Para João Luiz Passador, do Centro de Estudos em Gestão e Políticas Públicas Contemporâneas da USP de Ribeirão Preto (SP), “a presidente Dilma (Rousseff) deve estar muito satisfeita, já que a base de sustentação do governo saiu vitoriosa”.

O PMDB manteve grande número de prefeituras, com destaque para a reeleição de Eduardo Paes em primeiro turno no Rio de Janeiro. O PSD de Gilberto Kassab (agora alinhado ao governo) conquistou 497 executivos, e o PP, 469. O PSB, que ensaia uma postura mais independente, ganhou 442 prefeituras.

Renovação do PSDB

José Serra. AFPEx-presidente FHC defendeu a renovação do PSDB, partido do candidato derrotado em SP, Serra (foto)

Apesar da “fragilização” do PSDB, os especialistas concordam que o partido se manterá no centro da política nacional nos próximos anos. Todos falam em necessidade de “renovação das lideranças tucanas”, ressoando a declaração do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, minutos após votar.

“O partido vai precisar de renovação. (…) A gente tem que empurrar os novos para ir para a frente”, disse FHC, em declarações à imprensa.

Para Passador, da USP, “o resultado em São Paulo foi uma grande chacoalhada no PSDB. Apesar da provável substituição de Serra por Aécio (Neves) como líder nacional, o partido precisa ser repensado. Parece que os tucanos perderam o charme. Com o PT ocupando o centro, o partido acabou sendo deslocado à direita”, diz.

Para Fonseca, da FGV, “o PSDB perdeu o discurso” e terá de reformulá-lo se quiser ter sucesso no futuro.

“O PSDB substituiu temas de políticas públicas por temas sociais, de maneira oportunista. Primeiro foi a questão do aborto nas eleições presidenciais. Agora foi a questão da homofobia em São Paulo. Isso afastou o PSDB do discurso moderno com o qual o nasceu. O partido acabou conservador”, diz.

PSB

Para os três especialistas, o PSB foi o grande destaque das eleições. Apesar do crescimento vertiginoso de mais de 40% no número de prefeituras, todos se mostram cautelosos em relação ao papel do partido nos próximos anos.

“O PSB é um partido em ascensão, com a figura em ascensão do Eduardo Campos. E tem um projeto nacional, mas ainda não é capaz de se sobrepor ao PT. Hoje o PT é um partido sem adversários à altura”, segundo Fonseca.

Para Nogueira, da Unesp, o PSB é ainda “um partido que orbita em torno de uma pessoa, Eduardo Campos”.

“Ele se projetou como liderança, mas ainda não dá para saber se o PSB terá musculatura para postular um papel maior já em 2014. Talvez vá se cacifar para 2018”, diz.

Contra a Aids, a clonagem

Michel Nussenzweig. Ele comanda os pesquisadores na Universidade Rockefeller

Liderado pelo cientista brasileiro Michel Nussenzweig, um grupo de pesquisadores da Universidade Rockefeller, em Nova York, publicou na quarta-feira 24, na revista Nature, um ensaio sobre o sucesso de uma experiência contra o HIV desenvolvida em camundongos geneticamente modificados.

Diferentemente de terapias tradicionais, o tratamento utilizou nos roedores proteínas clonadas do organismo naturalmente imunes ao vírus da Aids. Após a descoberta desse anticorpo, os cientistas conseguiram determinar a estrutura da molécula e colocá-la em camundongos infectados pelo vírus após serem geneticamente modificados (naturalmente eles não contraem o HIV e precisam se “humanizar” para servir como experiência).

O anticorpo é uma molécula do sistema imunológico capaz de neutralizar as variantes do vírus.

Na pesquisa liderada por Nussenzweig, os roedores “humanizados” e os infectados foram divididos em dois grupos. Uns passaram a ser tratados com medicamentos antirretrovirais e outros, com a ajuda dos anticorpos monoclonais (pois são clonados a partir de uma única célula). O resultado foi que o tratamento sobre o último grupo foi tão eficaz quanto o primeiro.

A vantagem, segundo o estudo, foi que os camundongos sofreram menos efeitos colaterais e tiveram um tempo maior do controle do vírus – cerca de 60 dias. Um indício da eficácia do tratamento é que, após a interrupção da terapia, o vírus voltou a se proliferar em poucos dias nos roedores.

Isso significa que, com base no clone da molécula de indivíduos naturalmente protegidos pelo HIV, os roedores infectados conseguiram impedir a ação do vírus durante o período. Ou seja, não apresentaram os sintomas da Aids, que destrói o sistema imunológico e torna a vítima mais suscetível ao desenvolvimento de doenças.

Com o resultado, o cientista espera agora iniciar um ensaio clínico em pacientes humanos. A ideia é reunir num mesmo grupo voluntários que não toleram ou não sentem os efeitos das drogas durante o tratamento.Apesar do otimismo, ainda não há uma data para o início dos testes com humanos. Uma das barreiras para essa etapa é o alto valor do projeto, entre 2,5 milhões e 5 milhões de dólares.