Tatu-bola: pProtesto e repressão

Manifestantes ficaram feridos, assim como três policiais Crédito: André Ávila
Manifestantes ficaram feridos, assim como três policiais
Crdito: André Ávila

Na manhã seguinte ao confronto entre manifestantes e policiis militares no Centro de Porto Alegre, o comandante do 9º Batalhão de Polícia Militar (BPM), major André Luiz Córdova, avaliou que não houve excessos por parte da polícia que interveio com balas de borracha e gás de efeito moral. “Mostra uma resposta proporcional a uma agressão real, atual e iminente contra os policiais ou contra terceiros. Essa é a nossa linha, o nosso mantra de ação policial”, disse em entrevista a Rádio Guaíba nesta sexta-feira.

Conforme o comandante, o grupo que promoveu o protesto não tinha líder e não comunicou as autoridades sobre o ato. O major contou que cerca de 300 pessoas que se reuniam desde a tarde dessa quinta-feira na área central começaram, por volta das 23h, a arrancar as grades que cercavam o tatu-bola – símbola da Copa do Mundo de 2014, que fica no Largo Glênio Peres. Segundo o oficial, os manifestantes atiraram pedras e paus contra o boneco inflável, que acabou estourando.

Havia 20 policiais militares no local, segundo Córdova. “Eles iniciaram arremessando contra o tatu-bola, quando o policial se interpôs para evitar que aquele símbolo fosse danificado, os arremessos continuaram e aí os policiais já estavam no meio”, relatou. A guarnição pediu auxílio do 1º e 20º BPM, além do pelotão de prontidão do Batalhão de Operações Especiais (BOE), totalizando 65 policiais.

De acordo com o major, três policiais foram feridos, assim como alguns manifestantes e jornalistas que cobriam o ato. Um grupo atirou pedras contra viaturas e veículos da imprensa e destruiu a porta de um agência bancária. Quatro pessoas foram detidas. A Brigada Militar estuda abrir um inquérito para apurar se houve algum tipo de excesso por parte dos policiais durante o confronto.

Segundo os manifestantes, a polícia agiu com truculência para conter os protestos. O grupo que promoveu o ato denomidado “Defesa Pública da Alegria”, se concentrou primeiramente na Praça Montevideo para realizar a “apropriação dos espaços públicos”, conforme os integrantes. Após, foram até a frente do Mercado Público. A intenção era protestar contra o cercamento do Auditório Araújo Vianna e contra as parcerias público-privadas (PPPs) firmadas pela prefeitura, incluindo a que permitiu instalar chafarizes no Largo Glênio Peres.

E o futuro [não] é mais como era antigamente…

VATICAN INFORMATION SERVICE
AÑO XXII – N° 179
FECHA 05-10-2012
Sumario:
– INDULGENCIA PLENARIA POR EL AÑO DE LAFE
– PRESENTACION DEL SINODO SOBRE LA NUEVA EVANGELIZACION
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INDULGENCIA PLENARIA POR EL AÑO DE LAFE

Ciudad del Vaticano, 5 octubre 2012 (VIS).- -Benedicto XVI concederá a los fieles la indulgencia plenaria con motivo del Año de la Fe que será válida desde su apertura (11 de octubre de 2012 hasta su clausura, 24 de noviembre de 2013) , según informa el decreto hecho público hoy firmado por el cardenal Manuel Monteiro de Castro y por el obispo Krzysztof Nykiel, respectivamente Penitenciario Mayor y Regente de la Penitenciaría Apostólica.

“En el día del cincuenta aniversario de la solemne apertura del Concilio Vaticano II -dice el texto- el Sumo Pontífice Benedicto XVI ha establecido el inicio de un Año particularmente dedicado a la profesión de la fe verdadera y a su recta interpretación, con la lectura o, mejor, la piadosa meditación de los Actos del Concilio y de los artículos del Catecismo de la Iglesia Católica”.

“Ya que se trata, ante todo, de desarrollar en grado sumo -por cuanto sea posible en esta tierra- la santidad de vida y de obtener, por lo tanto, en el grado más alto la pureza del alma, será muy útil el gran don de las indulgencias que la Iglesia, en virtud del poder conferido de Cristo, ofrece a cuantos que, con las debidas disposiciones, cumplen las prescripciones especiales para conseguirlas”.

“Durante todo el arco del Año de la Fe -convocado del 11 de octubre de 2012 al 24 de noviembre de 2013- podrán conseguir la Indulgencia plenaria de la pena temporal por los propios pecados impartida por la misericordia de Dios, aplicable en sufragio de las almas de los fieles difuntos, todos los fieles verdaderamente arrepentidos, debidamente confesados, que hayan comulgado sacramentalmente y que recen según las oraciones del pontífice:

A)Cada vez que participen al menos en tres momentos de predicación durante las Sagradas Misiones, o al menos, en tres lecciones sobre los Actos del Concilio Vaticano II y sobre los artículos del Catecismo de la Iglesia en cualquier iglesia o lugar idóneo.

B)Cada vez que visiten en peregrinación una basílica papal, una catacumba cristiana o un lugar sagrado designado por el Ordinario del lugar para el Año de la Fe (por ejemplo basílicas menores, santuarios marianos o de los apóstoles y patronos) y participen en una ceremonia sacra o, al menos, se recojan durante un tiempo en meditación y concluyan con el rezo del Padre nuestro, la Profesión de fe en cualquier forma legítima, las invocaciones a la Virgen María y, según el caso, a los santos apóstoles o patronos.

C) Cada vez que en los días determinados por el Ordinario del lugar para el Año de la Fe, participen en cualquier lugar sagrado en una solemne celebración eucarística o en la liturgia de las horas, añadiendo la Profesión de fe en cualquier forma legítima.

D) Un día, elegido libremente, durante el Año de la Fe, para visitar el baptisterio o cualquier otro lugar donde recibieron el sacramento del Bautismo, si renuevan las promesas bautismales de cualquier forma legítima.

Los obispos diocesanos o eparquiales y los que están equiparados a ellos por derecho, en los días oportunos o con ocasión de las celebraciones principales, podrán impartir la Bendición Papal con la Indulgencia plenaria a los fieles.

El documento concluye recordando que los fieles que “por enfermedad o justa causa” no puedan salir de casa o del lugar donde se encuentren, podrán obtener la indulgencia plenaria, si “unidos con el espíritu y el pensamiento a los fieles presentes, particularmente cuando las palabras del Sumo Pontífice o de los obispos diocesanos se transmitan por radio o televisión, recen, allí donde se encuentren, el Padre nuestro, la Profesión de fe en cualquier forma legítima y otras oraciones conformes a la finalidad del Año de la Fe ofreciendo sus sufrimientos o los problemas de su vida”.

Edir Macedo contra-ataca PT com mensalão, kit gay, Enem


Com o apoio de Lula, Edir Macedo construiu um império da comunicação. (Foto: )

Principal apoiador de Celso Russomanno (PRB) na disputa pela Prefeitura de São Paulo, o fundador da Igreja Universal do Reino de Deus e dono da Rede Record, bispo Edir Macedo, centrou fogo contra Fernando Haddad (PT).

Em ataque ao petista, Macedo publicou um texto com cinco motivos para não votar em Haddad. O principal, segundo o bispo, é que o petista “infestará as escolas municipais com seu kit gay”, se eleito. O documento associa o candidato do PT ao mensalão e diz que os “comparsas” de Haddad “roubaram o Brasil e agora assaltarão São Paulo”. Fala ainda dos problemas do Enem que marcaram a gestão do petista quando ministro da Educação.

Em seu blog, Macedo publicou ontem o texto “Desabafo da revolta”, como se fosse uma carta recebida por ele de alguém que assina como “amigo”. No texto, o autor diz que Haddad “tentou obrigar” a distribuição “uma publicação que defende a homossexualidade, que estimula nossas crianças a viverem em pecado” e afirma que Haddad distribuirá o kit gay nas escolas.

O texto é permeado do início ao fim por ataques ao petista. “Haddad mente. Ataca sem argumentos os demais candidatos, principalmente o líder nas pesquisas, Celso Russomanno”, diz. O documento diz que Haddad não é “sério” e que não “assumiu seus erros” quando houve problemas no Enem.

O “desabafo” publicado pelo bispo diz que “José Dirceu, Genoino, Delúbio [Soares] e Marcos Valério”, réus no julgamento do mensalão, “são todos companheiros” de Haddad. “Mesmo que sejam condenados, quem nos garante que irão para a cadeia? Quem nos garante que, no dia seguinte à posse, não estarão devidamente instalados nos gabinetes do secretariado da prefeitura? E mesmo que não sejam eles pessoalmente, seus indicados estarão lá”.

Por fim, defende Russomanno

Os ataques ao PT fazem parte da estratégia adotada às vésperas do primeiro turno. Além de o candidato subir o tom contra Haddad, a campanha reforçou a ofensiva por meio da igreja neopentecostal e de folhetos contra o petista.

A candidatura distribuiu panfletos com críticas à principal proposta do PT, o Bilhete Único Mensal. “Na proposta do Haddad, uma família com quatro pessoas vai pagar R$ 560 por mês só com o Bilhete Único Mensal do PT”, diz o folheto. “Você quer pagar menos? A proposta de Russomanno tornará a passagem mais barata”.

A campanha prepara novos ataques. “Estamos em stand by, mas podemos lançar novos materiais gráficos até sábado”, disse o marqueteiro da campanha, Ricardo Bérgamo.

Em sua fala, Russomanno assumiu de vez o discurso agressivo contra o PT e repetiu por 14 vezes, em 14 minutos, que Haddad “mente”. O candidato rebateu críticas à sua proposta de cobrar a passagem de ônibus de acordo com o trajeto percorrido. Para Haddad, isso prejudicará os pobres, que vivem na periferia.

“Haddad está mentindo literalmente, deslavadamente a respeito da minha proposta. Ele é mentiroso”, declarou, antes de fazer uma carreata na zona leste. “Ele [Haddad] vai para o segundo turno comigo e vai fazer todos os debates comigo. Agora chegue ao segundo turno (sic). Seja competente para chegar, porque até agora não foi”.

O candidato evitou falar do vínculo com o bispo Macedo. “Não falo mais sobre isso. Sou católico. Vocês querem acompanhar o batismo do meu filho para saber quem eu sou?”

Ao ser questionado sobre as críticas de Macedo, Haddad buscou não relacionar o episódio à opinião pessoal do bispo Edir Macedo. Segundo o petista, a campanha enviará carta para rebater, ponto a ponto, as críticas do texto. “Vamos informar o remetente das injustiças, das injúrias que está cometendo. Muito provavelmente não o faz por má fé, mas por desinformação”, afirmou. O petista evitou polemizar.

Russomanno, ao mesmo tempo em que ataca o PT, poupa o candidato do PSDB, José Serra. Ontem a campanha tucana começou a distribuir panfletos dizendo que o candidato do PRB é vinculado à Igreja Universal do Reino de Deus e mostrando denúncias contra o candidato. Russomanno evitou comentar. “Estamos acompanhando. Se houver irregularidade nós vamos tomar as providências jurídicas”, afirmou.

Ao comentar sua queda nas pesquisas, Russomanno mostrou-se como “vítima do ataque de sete partidos”. “Tenho dois minutos de televisão e os outros têm sete minutos cada. Todos estão me bombardeando”, disse. Segundo o Datafolha divulgado ontem, Russomanno caiu cinco pontos percentuais em uma semana e está com 25% das intenções de voto, em empate técnico com Serra, que tem 23%. Haddad tem 19%.

Francisco de Assis. O Santo dos pobres e da ecologia – Notícias DomTotal


Francisco de Assis: Patrono da Ecologia (Foto: )

 

Filho de comerciantes, Francisco Bernardone nasceu em Assis, na Umbria, em 1182. Nasceu em berço de ouro, pois a família tinha posses suficientes para que levasse uma vida sem preocupações. Não seguiu a profissão do pai, embora este o desejasse. Alegre, jovial, simpático, era mais chegado às festas, ostentando um ar de príncipe que encantava.

Mas mesmo dado às frivolidades dos eventos sociais, manteve em toda a juventude profunda solidariedade com os pobres. Proclamava jamais negar uma esmola, chegando a dar o próprio manto a um pedinte por não ter dinheiro no momento. Jamais se desviou da educação cristã que recebeu da mãe, mantendo-se casto.

Francisco logo percebeu não ser aquela a vida que almejava. Chegou a lutar numa guerra, mas o coração o chamava à religião. Um dia, despojou-se de todos os bens, até das roupas que usava no momento, entregando-as ao pai revoltado. Passou a dedicar-se aos doentes e aos pobres. Tinha vinte e cinco anos e seu gesto marcou o cristianismo. Foi considerado pelo papa Pio XI o maior imitador de Cristo em sua época.

A partir daí viveu na mais completa miséria, arregimentando cada vez mais seguidores. Fundou a Primeira Ordem, os conhecidos frades franciscanos, em 1209, fixando residência com seus jovens companheiros numa casa pobre e abandonada. Pregava a humildade total e absoluta e o amor aos pássaros e à natureza. Escreveu poemas lindíssimos homenageando-a, ao mesmo tempo que acolhia, sem piscar, todos os doentes e aflitos que o procuravam. Certa vez, ele rezava no monte Alverne com tanta fé que em seu corpo manifestaram-se as chagas de Cristo.

Achando-se indigno, escondeu sempre as marcas sagradas, que só foram descobertas após a sua morte. Hoje, seu exemplo muito frutificou. Fundador de diversas ordens, seus seguidores ainda são respeitados e imitados.

Franciscanos, capuchinhos, conventuais, terceiros e outros são sempre recebidos com carinho e afeto pelo povo de qualquer parte do mundo.

Morreu em 4 de outubro de 1226, com quarenta e quatro anos. Dois anos depois, o papa Gregório IX o canonizou. São Francisco de Assis viveu na pobreza, mas sua obra é de uma riqueza jamais igualada para toda a Igreja Católica e para a humanidade. O Pobrezinho de Assis, por sua vida tão exemplar na imitação de Cristo, foi declarado o santo padroeiro oficial da Itália. Numa terra tão profundamente católica como a Itália, não poderia ter sido outro o escolhido senão são Francisco de Assis, que é, sem dúvida, um dos santos mais amados por devotos do mundo inteiro.

Assim, nada mais adequado ter ele sido escolhido como o padroeiro do meio ambiente e da ecologia. Por isso que no dia de sua festa é comemorado o “Dia Universal da Anistia”, o “Dia Mundial da Natureza” e o “Dia Mundial dos Animais”. Mas poderia ser, mesmo, o Dia da Caridade e de tantos outros atributos. A data de sua morte foi, ao mesmo tempo, a do nascimento de uma nova consciência mundial de paz, a ser partilhada com a solidariedade total entre os seres humanos de boa vontade, numa convivência respeitosa com a natureza.

Oração de São Francisco

Senhor, fazei-me instrumento de vossa paz.
Onde houver ódio, que eu leve o amor;
Onde houver ofensa, que eu leve o perdão;
Onde houver discórdia, que eu leve a união;
Onde houver dúvida, que eu leve a fé;
Onde houver erro, que eu leve a verdade;
Onde houver desespero, que eu leve a esperança;
Onde houver tristeza, que eu leve a alegria;
Onde houver trevas, que eu leve a luz.
Ó Mestre, Fazei que eu procure mais
Consolar, que ser consolado;
compreender, que ser compreendido;
amar, que ser amado.
Pois, é dando que se recebe,
é perdoando que se é perdoado,
e é morrendo que se vive para a vida eterna.

 

Presidente do Irã afirma que apoiar gays é coisa de capitalistas

Talvez o amigo internauta já tenha ouvido afirmações semelhantes a esta. No entanto, são as outras afirmações referentes à homossexualidade do Presidente iraniano que mais encontram similares em certos grupos do Ocidente. Leia a reportagem abaixo e pense de quem ouviu afirmações semelhantes anteriormente.

Presidente do Irã afirma que apoiar gays é coisa de capitalistas

O presidente iraniano está em Nova York para a Assembleia Geral da ONU. Foto: ©AFP / Timothy A. Clary

WASHINGTON (AFP) – Apoiar a homossexualidade é coisa de capitalistas de linha dura, que não se importam com os autênticos valores humanos, afirmou na segunda-feira 24 o presidente do Irã, Mahmud Ahmadinejad, em uma entrevista ao canal CNN.

Ahmadinejad destacou que a homossexualidade é “um comportamento muito desagradável” proibido por “todos os profetas de todas as religiões e todas as fés”.

O presidente iraniano, que está em Nova York para participar na Assembleia Geral da ONU, disse que apenas porque alguns países apoiam a homossexualidade não significa que suas críticas sejam uma negação da liberdade às pessoas.

No mesmo sentido, ridicularizou os políticos e partidos que, segundo ele, aprovam os gays e lésbicas “apenas para ganhar quatro ou cinco votos a mais”.

De maneira mais amplia, o presidente do Irã afirmou que o apoio aos homossexuais não tem nada a ver com o apoio ao desenvolvimento humano.

“Este tipo de apoio à homossexualidade está apenas nas mentes dos capitalistas de linha dura e daqueles que apenas apoiam o crescimento do capital, mais do que os valores humanos”, completou Ahmadinejad com a ajuda de um intérprete.

Ele insistiu que as pessoas viram homossexuais e não nascem desta maneira. Não respondeu ao ser questionado sobre o que faria se um de seus três filhos fosse gay.

Ahmadinejad disse que o mundo tem uma série de males como a miséria, a repressão e as ditaduras, e que apoia a resolução destes problemas e defesa da dignidade humana.

Questionado se o apoio à liberdade não deveria ser aplicado aos homossexuais, respondeu que “a homossexualidade cessa a procriação”.

“Quem disse que se alguém gosta ou acredita em algo desagradável e outros não aceitam este comportamento, estão negando a liberdade? Quem disse isto?”, completou Ahmadinejad.

Sou um teólogo feliz

 

Francesco Strazzari é conhecido entre nós por seu livro “Sou um teólogo feliz”, uma lúcida e valiosa entrevista que fez com Edward Schillebeeckx. O é menos por outras igualmente excelentes feitas com teólogos como Congar, De Lubac, Rahner, Pannenberg, Moltmann, Alfrink, Setién… (algumas recolhidas em um pequeno, mas denso volume “Testimoni di Speranza”). A análise é de Andrés Torres Queiruga, publicada no sítio espanhol Religión Digital, 24-09-2012. A tradução é do Cepat.

 

Menos o é seguramente por suas reportagens sobre a presença da Igreja nas mais afastadas e diferentes partes do mundo: países comunistas da Europa central, do Sudeste asiático, do Oriente Médio, da China…

Enviado pela prestigiosa revista quinzenal Il Regno, viajante incansável sem abandonar seu trabalho pastoral, nem sua preocupação teológica, conseguiu uma invejável visão dos grandes problemas da Igreja no atual comando. E consegue expô-los com um estilo sempre sereno e uma informação precisa e essencial, sem recorrer ao slogan nem ceder aos tópicos. Sua preocupação é a objetividade equilibrada, a informação orientadora.

O último livro [Fragmentos di America Latina. Martiri, profeti e Chiese a rischio. Bologna, EDB, 2012], que aqui resenho, nos é especialmente próximo, por referir-se à América Latina. Fiel ao estilo, não oferece uma visão sistemática, mas um conjunto variado de quadros, onde se pode entrever a contextualização indispensável, a evocação histórica e a entrevista com pessoas especialmente significativas.

Entregues ao leitor e devidamente conjuntados ao fio da leitura, vão configurando um quadro vivo, uma visão global do mundo apaixonado, cheio de criatividade e de tormento, de fracasso e de promessa que caracteriza a vida desse continente em busca de seu caminho entre as duras contradições que obscurecem, mas não anulam a grande promessa de seu futuro.

Abarca um arco temporal relativamente amplo: desde os anos 1980 até o presente, e oferece um bom leque de noções. Após dois prólogos, de Oscar Beozzo e Jon Sobrino, uma breve introdução, “O futuro é agora”, assinala as dramáticas mudanças de uma Igreja em franca recessão, que, após ter sido quase única e omnipresente, “está posta de fato ao nível das obras confessionais religiosas e seu pensamento é considerado como um entre outros” (p. 14); para concluir, com palavras de dom Strotmann, bispo de Chosica, no Peru: “Estamos jogando a catolicidade do continente latino-americano das próximas décadas” (p. 16).

Depois vem os tratamentos concretos, começando pelo caso Boff, que ilumina à base de preciosas entrevistas com o cardeal Paulo Evaristo Arns de São Paulo, e dom Adriano Hipólito, de Nova Iguaçu: ambos livres, positivos e corajosos sobre este e outros temas. Termina com o caso de Sucumbíos: “a Igreja golpeada, mas não afundada”. E no meio, uma longa lista de problemas, iniciativas, pessoas e desafios.

Impossível resenhá-los todos. Vale a pena assinalar as visões e versões estranhamente equilibradas de Cuba, do chavismo, de Evo Morales e da “revolução cidadã” de Rafael Correa. Muitas notícias, que nos chegam dispersas, enviesadas e fora de contexto, recebem aqui uma luz inesperada para aqueles que buscam um julgamento objetivo, tão longe do elogio como alheio à condenação.

Menção muito especial merece o longo e aberto tratamento da “cavalgada da Opus Dei”, cada vez mais influente e com tendência a dominar e dirigir o futuro das igrejas. O retrato nu que faz do cardeal Cipriani, com dados e processos que assombram, como seu apoio ao Sodalício de Vida Cristã (menos conhecido aqui, mas muito afim aos Legionários de Cristo e seus escândalos), sua cumplicidade com Fujimori ou sua tentativa de se “apoderar” da Pontifícia Universidade Católica do Peru (“uma instituição civil sem fins lucrativos, assim inscrita nos registros públicos do Peru”, p. 103), não só permite compreender muitas coisas “incompreensíveis” (assim como costumam chegar até nós), mas que explicam o duro diagnóstico do autor:

“O Peru deveria constituir, em sua tentativa, o modelo ideológico do que deveria ser a Igreja na América Latina e, talvez, no mundo. A Opus fez do Peru, em quase meio século de atividade, um paradigma em caso de derrota da Europa” (p. 95).

As afirmações são apenas fragmentos de um tratamento mais amplo e plural. Espero, contudo, que baste para justificar a afirmação de que não será fácil encontrar uma obra que em muito breve espaço (186 páginas) ofereça uma informação tão viva e um juízo tão sereno e objetivo desse continente. Seria bom que alguma editora se animasse a oferecê-la em castelhano, para informação fraterna e, talvez, para aviso futuro.

 

Sirvam nossas façanhas, de modelo a toda a terra!…

Motorista é flagrado ‘rebocando’ um cavalo pelas ruas de São Gabriel, RS

Motorista é flagrado rebocando cavalo no RS (Foto: Reprodução/RBS TV)Motorista é flagrado rebocando cavalo pela rua em São Gabriel (Foto: Reprodução/RBS TV)

Um homem foi flagrado nesta sexta-feira (21) “rebocando” um cavalo em São Gabriel, Região da Campanha do Rio Grande do Sul. O motorista de um Fiat Uno dirigia pelas ruas da cidade puxando o animal por uma corda amarrada ao veículo. Com uma das mãos, ele conduzia o carro. Com a outra, segurava a corda.

Durante o trajeto de dois quilômetros registrado pela RBS TV, o homem chegou a acenar para a câmera. Segundo a Brigada Militar, se flagrado por um policial, o motorista seria multado por pelo menos três infrações de trânsito: dirigir com apenas uma das mãos, dirigir sem cinto de segurança e dirigir sem atenção e cuidados, totalizando 14 pontos na carteira de habilitação e multa de R$ 297,95.

Intolerância religiosa

75% das pessoas vivem em países com restrições religiosas, diz estudo

Policiais protegem uma igreja em Maiduguri, Nigéria, em maio de 2012.

Uma pesquisa do instituto norte-americano Pew Research Center indicou o aumento da intolerância religiosa nas cinco maiores regiões do mundo entre meados de 2009 e 2010. No período, passou de 31% para 37% a proporção de países com nível elevado ou muito alto de restrições a crenças e práticas de religião. Cerca de 5,2 bilhões de pessoas vivem em locais com este tipo de ressalva.

O crescimento ocorreu inclusive em países ocidentais que tradicionalmente impõem poucos limites à prática da fé. A maior parte dos locais com restrições governamentais ou alta hostilidade social envolvendo religião são países com as maiores populações do mundo.

Mas o aumento foi registrado também em países com nível moderado ou baixo de restrições, como Suíça e Estados Unidos, onde em Oklahoma houve uma proposta rejeitada pela justiça de declarar ilegal a lei islâmica. Em território suíço foi proibida a construção de novos minaretes em mesquitas, na Indonésia ocorreu o fechamento de mais de 20 igrejas por pressão de extremistas islâmicos e houve violentos confrontos entre cristãos e muçulmanos na Nigéria.

O aumento destas restrições foi atribuído a diversos fatores, como crescimento de crimes e violência motivada por ódio religioso ou preconceito.

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Os países com as maiores restrições governamentais em 2010 – que incluem leis, políticas e ações para limitar crenças e práticas religiosas – eram Egito, Indonésia, Arábia Saudita, Afeganistão, Irã, Tunísia, China, Rússia, Iêmen, entre outros. Estes locais somaram ao menos 6,6 pontos em um índice com nota máxima de 10.  O Brasil aparece entre os países com 0 a 2,3 pontos, no nível baixo, mesmo grupo de Austrália, Japão e Argentina.

Com elevada hostilidade social (7,2 pontos ou mais), estão Paquistão, Índia, Iraque, Sri Lanka, Bangladesh, Somália, Rússia, Palestina, Egito, entre outros. Neste ranking, o Brasil aparece no nível moderado (entre 1,5 e 3,5 pontos), junto com EUA,  Itália e Espanha. Por outro lado, o País está em melhor colocação que Alemanha ou França, presentes no grupo de elevada hostilidade social (3,6 e 7,1).

A China foi o país mais populoso com altas restrições, enquanto Paquistão, Índia, Israel e os Territórios Palestinos foram considerados locais com hostilidades sociais elevadas, como perseguição ou violência em massa.

O número de países onde houve assédio e intimidação de grupos religiosos específicos aumentou de 147 em 2009 para 160 em 2010. Cristãos, judeus, budistas estão entre os mais atacados.

No final de 2010, casos deste tipo contra cristãos foram registrados em 111 países (107 em 2006), contra muçulmanos em 90, e judeus em 68. Nos quatro anos do estudo, grupos religiosos foram assediados ou intimidados em 184 países.

O estudo abrange 2006 a 2010, neste período o número de países com muito alto nível de restrição governamental aumentou de 10 em 2007 para 18 em 2010. O número de países com muito alto nível de hostilidade também aumentou de 10 para 15.

A pesquisa engloba 197 países e territórios autoadministrados (Kosovo, Hong Kong, Macau e Palestina) e mais de 99,5% da população mundial.