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Ministros do Supremo, 380 milhões de olhos vos contemplam

Cynara Menezes

Em agosto deste ano, o ministro do Supremo Tribunal Federal Celso de Mello concedeu liminar suspendendo o júri popular que finalmente faria Justiça ao “caso Nicole”. O empresário Pablo Russel Rocha é acusado de, em 1998, ter arrastado com sua caminhonete, até a morte, a garota de programa Selma Artigas da Silva, então com 22 anos, em Ribeirão Preto. A jovem era conhecida como Nicole.

Grávida, Nicole teve uma discussão com Pablo. A acusação diz que ele a prendeu ao cinto de segurança e a arrastou pela rua. Pablo, que responde pelo crime em liberdade, diz “não ter percebido” que a moça estava presa ao cinto e nem ter ouvido os gritos da moça porque “o som da Pajero estava muito alto”. O corpo de Nicole foi encontrado, totalmente desfigurado, do outro lado da cidade. Com a suspensão, a família de Selma/Nicole vai esperar não se sabe quantos anos mais pelo julgamento do acusado.

Na segunda-feira 22 de outubro, o mesmo ministro Celso de Mello condenaria os petistas Delúbio Soares, José Dirceu e José Genoino pelo crime de formação de quadrilha. Já os havia condenado por corrupção ativa. “Eu nunca vi algo tão claro”, disse ele, sobre a culpabilidade dos réus.

Em novembro de 2011, o ministro do STF Marco Aurélio Mello concedeu habeas corpus ao empresário Alfeu Crozado Mozaquatro, de São José do Rio Preto (SP), acusado de liderar a “máfia do boi”, mega-esquema de sonegação fiscal no setor de frigoríficos desvendado pela Polícia Federal. De acordo com a Receita Federal, o esquema foi responsável pela sonegação de mais de 1 bilhão e meio de reais em impostos. Relator do processo, Marco Aurélio alegou haver “excesso” de imputações aos réus.

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Na segunda-feira 22 de outubro, o mesmo ministro Marco Aurélio Mello condenaria os petistas Delúbio Soares, José Dirceu e José Genoino pelo crime de “formação de quadrilha”. Já os havia condenado por “corrupção ativa”. O esquema do chamado “mensalão” envolveria a quantia de 150 milhões de reais. “Houve a formação de uma quadrilha das mais complexas.  Os integrantes estariam a lembrar a máfia italiana”, disse Marco Aurélio.

Em julho de 2008, o ministro do STF Gilmar Mendes concedeu dois habeas corpus ao banqueiro Daniel Dantas, sua irmã Verônica e mais nove pessoas presas na operação Satiagraha da PF, entre elas o investidor Naji Nahas e o ex-prefeito de São Paulo Celso Pitta (que morreu em 2009). A Satiagraha investigava justamente desdobramentos do chamado mensalão, mas, para Mendes, a prisão era “desnecessária”.

Segundo o MPF (Ministério Público Federal), o grupo de Dantas teria cometido o crime de evasão de divisas, por meio do Opportunity Fund, uma offshore nas ilhas Cayman que movimentou entre 1992 e 2004 quase 2 bilhões de reais. O grupo também era acusado de formação de quadrilha e gestão fraudulenta.

Na segunda-feira 22 de outubro o mesmo ministro Gilmar Mendes que livrou o banqueiro Daniel Dantas da cadeia enviou para a prisão a banqueira Kátia Rabello, presidente do banco Rural, por formação de quadrilha. Já a havia condenado por gestão fraudulenta, evasão e lavagem de dinheiro. “Sem dúvida, entrelaçaram-se interesses. Houve a formação de uma engrenagem ilícita que atendeu a todos”, disse Gilmar.

O final do julgamento do mensalão multiplica por 25 – o número de condenados – a responsabilidade futura do STF. É inegavelmente salutar que, pela primeira vez na história do País, um grupo de políticos e banqueiros tenha sido condenado por corrupção. Mas, a partir de agora, os olhos da Nação estarão voltados para cada um dos ministros do Supremo para exigir idêntico rigor, para que a Justiça se multiplique e de fato valha para todos.

Estamos fartos da impunidade, sim. E também estamos fartos dos habeas corpus e liminares concedidos por alguns ministros em decisão monocrática, em geral nos finais de semana ou em férias, quando o plenário não pode ser reunido. Não se pode esquecer que o Supremo que agora condena os petistas pelo “mensalão” é o mesmo Supremo que tomou decisões progressistas importantes, como a liberação do aborto de anencéfalos e da união civil homossexual e a aprovação das cotas para afro-descendentes nas universidades. Estas foram, porém, decisões do colegiado. Separadamente, saltam aos olhos decisões injustas como as que expus acima.

Se há, como defendem alguns ministros, uma evolução no pensamento do STF como um todo, que isto também se reflita nas posições tomadas individualmente por seus membros. Não se pode, diante das câmeras de tevê, anunciar com toda a pompa a condenação e a prisão de poderosos e, à sorrelfa, na calada da noite, soltar outros. Cada vez que um poderoso for libertado por um habeas corpus inexplicável, ou que uma liminar sem pé nem cabeça for concedida por um ministro do Supremo para adiar o julgamento de gente rica, estará demonstrado que o mensalão não foi um divisor de águas coisa nenhuma.

Daqui para a frente, os ministros do Supremo Tribunal Federal têm, mais do que nunca, a obrigação de serem fiéis a si próprios e ao que demarcaram neste julgamento. Nós, cidadãos, estaremos atentos às contradições. Elas serão denunciadas, ainda que ignoradas pela grande mídia.

A Justiça pode ser cega. Mas nós, brasileiros, temos milhões de olhos. E estaremos vigiando.

Engajamento eleitoral da Igreja Católica é inédito, diz dom Fernando Figueiredo

Bispo responsável por uma das igrejas mais assediadas por políticos em São Paulo –o Santuário do Terço Bizantino, do padre Marcelo Rossi–, dom Fernando Figueiredo admite nunca ter visto a Igreja Católica se envolver tão fortemente numa eleição municipal quanto neste ano.

“Já vi uma manifestaçãozinha aqui e acolá, mas jamais um pronunciamento oficial”, afirma, ao comentar a ação do arcebispo dom Odilo Scherer, que no primeiro turno determinou que padres lessem comunicado com críticas à campanha de Celso Russomanno (PRB).

À Folha, o bispo de Santo Amaro diz que abre as portas de seu Santuário para que os fiéis possam “conhecer melhor” os candidatos.

Rechaça, no entanto, que líderes religiosos indiquem nomes aos eleitores. Apesar disso, direcionou os maiores elogios a José Serra (PSDB), que concorre com Fernando Haddad (PT).

Alessandro Shinoda/Folhapress
Dom Fernando Figueiredo concede entrevista na sede da Diocese de Santo Amaro, em São Paulo
Dom Fernando Figueiredo concede entrevista na sede da Diocese de Santo Amaro, em São Paulo

Folha – O Santuário acabou se tornando alvo do périplo de políticos. Como vê isso?
Vejo o santuário como local de congregação do nosso povo. Isso não só chama a atenção da imprensa, como também dos políticos, que têm ali acesso a um grupo bastante grande para se apresentar. Muitos deles vão movidos também pela fé. Gostaria que todos fossem assim.

O objetivo político incomoda?
Eu não pergunto a ninguém se foi lá por razão política ou religiosa. Cabe à pessoa.

É positiva essa aproximação dos políticos com as igrejas?
É um modo de eles se apresentarem e também de nós os conhecermos. Para votar, creio que uma das leis máximas é justamente conhecer e conhecer bem o candidato. É verdade que eles vão lá e as pessoas os veem naquele instante. Mas talvez essa primeira impressão já traga uma alegria de saber que conhece aquele candidato.

Não há risco de a igreja ser instrumentalizada?
Se eles [os políticos] instrumentalizam, o problema é deles. Nós fazemos com a consciência reta, desejando apresentá-los e levá-los a um encontro com o Senhor.

Na última semana, os materiais anti-homofobia que Haddad e Serra produziram viraram tema na campanha. Como vê isso?
Não vou entrar na questão do kit. A igreja sempre propugnou contra todo tipo de discriminação. Todos são chamados à salvação.

*Mas elaborar esse material pode ser considerado algo que desabone um candidato?
Creio que essa questão é muito delicada. Delicada demais para, numa pincelada, tratarmos sobre ela.*

Delicado para tratar em uma pincelada. E para tratar em ano eleitoral?
Muitas vezes os debates se tornam não muito elucidativos e, às vezes, distorcidos. Não colocaria essas questões num período eleitoral.

O pastor Silas Malafaia pediu voto para Serra dizendo que Haddad queria ensinar a homossexualidade. Ele está pregando o preconceito?
Eu não gostaria de julgar.

Mas o que acha de um líder religioso indicar candidato?
Ninguém deveria dizer quem é o candidato. É um abuso do contato e da credibilidade que os fiéis nos dão.

Então qual é o limite para a participação dos religiosos?
Eu diria que devemos apresentar, sim. Mas dar conhecimento não é indicar.

O sr. disse que é preciso conhecer bem os candidatos. Pode falar um pouco o que conhece de Haddad e Serra?
O Haddad me foi apresentado pela família Tatto [dez irmãos filiados ao PT-SP]. Eu já o vi em outra ocasião, mas não tenho contato. Vejo que é muito inteligente, tem capacidade intelectual e também flexibilidade quando discursa. O Serra eu conheço há tempos. Pediram-me para dar a unção dos enfermos a uma senhora. Na saída, vi um porta-retratos com foto dele e perguntei de onde o conheciam. Era a mãe dele. Difícil encontrar alguém que conheça mais a cidade do que ele.

O sr. foi a muitas inaugurações desta gestão. Se Haddad for eleito, continuará indo?
Eu não sou ligado a este ou aquele partido. Sabia que quando os cristãos eram martirizados, eles rezavam pelo imperador, que os estava levando à morte? É uma responsabilidade da autoridade estar sempre sintonizado com o Senhor.

No primeiro turno, dom Odilo Scherer pediu para que padres lessem nas missas texto contra a campanha de Celso Russomanno. Como viu isso?
Eu não tinha claro até aquele momento que o Russomanno estivesse ligado à Igreja Universal. Até hoje não tenho. Como o conhecia há muito tempo, o que eu via era ligação com a Igreja Católica.

O sr. declarou publicamente que ele era católico.
Você sempre deve fazer o que é melhor para a pessoa. Se nada me dizia que ele não era católico, como poderia não defendê-lo?

É inédito o engajamento eleitoral da igreja em São Paulo?
Essa pergunta é para ele [dom Odilo], não para mim. Cheguei aqui como bispo em 1989. Sempre houve uma manifestaçãozinha aqui e acolá, mas não um pronunciamento oficial. Isso jamais.

Qual é o limite desse engajamento religioso?
Você apresenta [candidatos], simplesmente. Mas a igreja deve iluminar a mente do eleitor para que ele possa considerar os candidatos não só no momento presente, mas também no passado. Senão, aparece alguém da Lua com um belo discurso, e as pessoas são levadas. O conhecimento que temos, por exemplo, do Serra. Ele é mais conhecido. É mais fácil termos julgamento.

Ele tem alta rejeição, em parte por ter saído da prefeitura.
Mas isso é tão secundário. Ele saiu por quê? Porque não queria servir o povo? Ou quis servir o povo ainda mais, como governador? Perdemos essa referência.

O sr. falou do Serra, poderia destacar méritos das gestões que viu desde 1989?
A Erundina teve muita preocupação social, pela realidade sofrida do povo. O Maluf é um homem de decisão. Quando tivemos problemas na região sul, agiu imediatamente. O Pitta bem menos…

E a Marta Suplicy?
Marta, Marta, Marta…. O que eu poderia falar da Marta? Aqui na região sul… Ela tinha uma preocupação pela saúde. Vemos postos de saúde que ela incentivou. Isso foi importante. A atuação do Kassab também tem sido marcante aqui na região.

A maioria da população reprova a gestão dele.
Eu fico sempre me perguntando: de onde que vem isso? Acho injusto. Acho não, creio. Vocês que estão na imprensa, o que me dizem? Não é um pouco pegar os aspectos que não são positivos e alardear, e isso faz com que a imagem da pessoa seja denegrida?

O senhor se refere ao Kassab?
Pode ser qualquer pessoa, até um santo. Pegue irmã Dulce. Pega um aspecto que não era muito positivo e começa a divulgar. Cria-se uma ideia contrária à pessoa.

O sr. recebe crítica por receber os políticos?
Às vezes recebo críticas: “Você recebeu Fulano, ele nem é católico e o senhor o deixou comungar”. Há uma lei na igreja que, se a pessoa se aproxima para a comunhão, você não pode negá-la.

Antes do primeiro turno, o candidato Gabriel Chalita veio a uma missa na qual estava o Serra. Ele reclamou que precisou “se convidar” para o evento. Na ocasião, o sr. não quis comentar.
Continuo sendo elegante com ele.

Ele se queixou com o senhor?
Continuo sendo elegante com ele. Estou começando a ser político! [risos]

Morte de mulheres cai 12% entre 2000 e 2010, diz Ministério da Saúde

 

Estudo divulgado nesta segunda-feira (22) pelo Ministério da Saúde aponta que a mortalidade feminina caiu 12% entre 2000 e 2010. Segundo o governo, a taxa de óbitos no período caiu de 4,24 para 3,72 para cada grupo de 100 mil mulheres.

 

Os dados fazem parte da publicação “Saúde Brasil”. Segundo a pasta, todas as regiões do país tiveram queda na quantidade de mortes de mulheres, causadas por doenças, violência doméstica, complicações durante a gestação, além de outros problemas.

 

A região Sul do país registrou queda de 14,6%, seguida do Sudeste, com 14,3%. O Centro-Oeste apresentou redução de 9,6%, enquanto as regiões Nordeste e Norte apresentaram diminuição de 9,1% e 6,8%, respectivamente.

 

O ministério divulgou ainda quais foram as principais causas de mortes de mulheres em 2010. Doenças do aparelho circulatório, como Acidente Vascular Cerebral (AVC) e o infarto, foram as que mais mataram mulheres no ano (34,2%).

 

As neoplasias (câncer) vêm em seguida, responsáveis por 18,3% dos óbitos. Nesta categoria, o câncer de mama foi o que atingiu mais vítimas (2,8%), seguido do câncer de pulmão (1,8%) e o câncer do colo do útero (1,1%).

 

Regiões do país

Taxa de mortalidade para cada 100 mil mulheres (em 2010)
Norte 3,45
Nordeste 3,43
Sudeste 3,85
Sul 3,81
Centro-Oeste 3,87

 

Por idade
Em 2010, mulheres com idade a partir de 30 anos morreram principalmente por complicações decorrentes de doenças do aparelho circulatório e câncer. Já as mortes entre menores de dez anos ocorreram por afecções perinatais — problemas que acometem crianças na primeira semana de vida, ainda que a morte ocorra depois.

 

O levantamento aponta ainda que óbitos de mulheres com idade entre 10 e 29 anos foram causados por causas externas, definidas pelo ministério como acidentes e agressões (incluindo violência doméstica). Quanto à mortalidade materna, o estudo do governo federal aponta que em 2010 foram 68 óbitos para cada 100 mil nascidos vivos.

 

Morte materna é aquela causada por complicações durante a gestação ou até 42 dias após o fim da gravidez, quando provocada por problemas de saúde como hipertensão, desprendimento prematuro da placenta ou doenças preexistentes, a exemplo das cardíacas, do câncer e do lúpus.

Ao longo de duas décadas, a mortalidade materna no Brasil caiu 51%. A pesquisa apontou que de 1990 a 2010, o número de mortes diminuiu de 141 para 68 para cada 100 mil nascidos vivos.

A segunda adolescência

Dia desses, passou no Telecine Cult um filme que fez a cabeça de 11 em cada dez adolescentes que assistiam à Sessão da Tarde no fim dos anos 80: Curtindo a Vida Adoidado.

Era o pop do pop. Um adolescente inquieto interpretado por Matthew Broderick finge estar doente para matar a aula e, junto com a namorada e um amigo, aproveitar um mundo proibido. O plano, observado tantos anos depois, não podia ser menos audacioso: uma vez livre dos adultos, o trio não fazia nada demais a não ser visitar museus, pontos turísticos, restaurantes e gastar horas na piscina falando sobre a vida. Ainda assim, era como experimentar a última fresta de luz de uma janela prestes a ser fechada, sem ter ideia para onde, como e com quem seguir dali para frente.

Para se proteger de um mundo de regras, os amigos decidem viver em comunidade no fim da vida

O modelo estava dado. De um lado, adultos criavam as regras e, de outro, os jovens as desafiavam. Era preciso dar um nó nos pais, professores e demais autoridades para se sentir minimamente vivo. O futuro era uma vida de obrigações e o presente, um instante não-renovável.

Mal sabia Ferris Bueller, o personagem de Broderick, que aquela adolescência era baba perto do que viria anos à frente. Porque, quando ganhasse o ingresso para a terceira idade, um novo espírito adolescente pediria passagem: de um lado, o mundo das regras, regulado pelos familiares economicamente ativos e, de outro, o espírito inquieto de quem não está disposto a vestir o uniforme socialmente reservado ao descanso, à docilidade, à vida privada de prazeres ou desafios.

No belo e tocante E Se Vivêssemos Todos Juntos?, filme de Stéphane Robelin em cartaz em São Paulo, essa inquietação parece clara na fala de Jeanne, personagem de Jane Fonda que a certa altura confessa: “A gente planeja tudo, mas nunca pensa no que fazer nos últimos anos de vida”.

Antônio Cecchim: A novidade introduzida por Dom Helder Câmara

Constatamos uma vez mais, que a Catequese Libertadora ainda não entrou no Brasil e talvez também não tenha entrado ainda em todo o continente latino-americano em cujo solo nasceu e para cujo solo se destina”, afirma Antonio Cechin, irmão marista e miltante dos movimentos sociais, autor do livro Empoderamento Popular. Uma pedagogia de libertação. Porto Alegre: Estef, 2010.

 

Ouvimos falar o nome de Hélder Câmara pela primeira vez, quando tínhamos em torno de 20 anos de idade, depois acompanhamo-lo pelas notícias, principalmente pela imprensa católica. Naquele tempo, uns 60 anos atrás,ele era Padre Hélder, um sacerdote da arquidiocese do Rio de Janeiro que se dedicava a jovens operários da Juventude Operária Católica (JOC). Pouco tempo depois, ficou nomeado bispo auxiliar do cardeal Dom Jaime de Barros Câmara. Foi então escolhido para ser o coordenador geral de todos os ramos da Ação Católica do Brasil: homens, mulheres e jovens.

Tão logo fora nomeado bispo, Dom Hélder Câmara inaugurou na Igreja do Brasil um discurso inteiramente novo no início da década de 1950. Face à imensa maioria da população do país ser pobre e subdesenvolvida, começou a apelar para a opção pelos pobres como sendo a opção fundamental do Homem Jesus de Nazaré e nessa trilha dos pobres deveria se engajar a Igreja. “Deus tem um lado” dizia Dom Hélder, nos primeiros tempos de bispo. A Missão dos cristãos no Brasil é de “Libertar os oprimidos!”

Para coisas novas, palavras novas. Na falta de vocábulos novos para um discurso novo, repleto de ideias-forças novas, como sói acontecer com inventores de novas descobertas que até ontem eram inimagináveis. “Não se coloca remendo velho em pano novo” já dizia nosso Mestre”.  Na falta de uma Teologia da Libertação, ainda por inventar, Dom Hélder citava frases antigas de algum alfarrábio, que haviam passado desapercebidas ao tempo em que foram ditas, entremeando tudo com muito Evangelho, retratando sempre a vida e a obra de Jesus o Homem- Deus dos Pobres. Assim, um pensamento do filósofo e teólogo maior da Igreja de todos os tempos, santo Tomás de Aquino, autor da Suma Teológica, em plena idade média que pode ser traduzido mais ou menos assim:

Quando uma pessoa ou um grupo de pessoas se encontram em situação de carência extrema, sem possibilidade de satisfazer as necessidades básicas e fundamentais como alimentação, saúde, moradia, etc. então o mundo inteiro passa a ser comum. Aquele que não tem o que comer, para sobreviver, tem direito a ir a qualquer lugar: supermercado, geladeira dentro de residência, armazém, restaurante, pegar comida aonde estiver e comer, porque tem o supremo direito de continuar vivendo segundo a lei do Criador. Se não tiver aonde repousar e descansar tem o supremo direito de ocupar qualquer abrigo que existir em seu entorno: abrigo, casa de moradia, hotel, etc. etc.

Na verdade, foi Dom Hélder que nos iniciou, no Brasil, à opção pelos pobres. Com seus discursos tonitruantes, apesar de sua figura pequena e franzina, tirou muitas pessoas de pouca fé, do sono letárgico em que jaziam dentro de um cristianismo de pura rotina.

Logo que Dom Helder recebeu a incumbência do Papa João XXIII de criar a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, na função de secretário executivo da entidade que exercia, sugeriu aos bispos do país a troca da Ação Católica de linha italiana, criada pelo papa Pio XI, pela Ação Católica Especializada, de linha francesa. O que mais interessava a Dom Hélder nessa troca da Itália pela França era o método VER-JULGAR-AGIR que fora criado por Monsenhor Cardijn, sacerdote belga com seus jovens operários, no movimento que fundaram: a  chamada JOC ou Juventude Operária Católica. Esse método Ver, Julgar e Agir também foi adotado mais tarde, para o ato de fazer Teologia da Libertação.

O Papa Pio XI, fundador da ação católica , por isso mesmo de linha italiana, tinha tido um encontro pessoal com Monsenhor Cardijn da JOC. Terminada a reunião, em entrevista coletiva Pio XI disse aos jornalistas referindo-se ao Monsenhor:  “Pela primeira vez alguém me falou que temos de evangelizar as massas humanas.” A ação católica italiana visava mais o afervoramento na fé dos cristãos, focada numa prática religiosa mais intensa da vida sacramental, ao passo que a de linha francesa visava um Movimento Popular Católico para servir de fermento nas massas.

Na mesma arquidiocese de Recife, para a qual Dom Hélder foi removido, momentos antes de terminar o Concílio Vaticano II, outra grande figura surgiu com um método de educação original. Tinha como finalidade precípua, ensinar a ler e a escrever aos numerosíssimos analfabetos do Brasil. Paulo Freire nasceu com alma de educador. Tornou-se o maior pedagogo de todos os tempos na América Latina como criador do método psico-social, que também é conhecido como Pedagogia do Oprimido ou Educação como Prática da Liberdade.

Quem primeiro aproveitou desse excelente método libertador, foi a Igreja Católica na pessoa do mesmo Dom Hélder Câmara, que foi também o primeiro secretário executivo da entidade que ele próprio acabara de fundar, atendendo a um apelo pessoal que o Papa João XXIII lhe fizera: a Conferência Nacional dos Bispos (CNBB).

Os militantes da Igreja, dos Movimentos da Ação Católica Especializada, de modo especial o mundo jovem da Igreja da JAC, JEC, JIC, JOC, JUC subiam os morros das periferias das cidades e ao mesmo tempo se enfiavam pelos grotões interioranos do Brasil onde houvesse Vilas ou povoados de gente pobre e analfabeta, em busca das Palavras Geradoras que serviriam de ponto de partida para reuniões com 20 a 30 pessoas analfabetas, homens e mulheres.

Em 20 dias de reuniões eram alfabetizados. A esses grupos  de alfabetizandos, Paulo Freire deu o nome de Círculos de Cultura. O nome já diz: não existe no mundo gente totalmente inculta. Toda e qualquer pessoa, pelo simples fato de ter experiência de vida, é naturalmente uma pessoa culta. Já é possuidora de uma cultura. Conhece e faz muitas coisas. Se sabe plantar um pé de mandioca, é um agricultor. O próprio vocábulo composto agri + cultor, traduzido etimológicamente significa ter cultura agrícola.

Lembro quando Paulo Freire, que de início havia se dedicado de corpo e alma à alfabetização dos pobres do Brasil, ao trocar idéias com Dom Hélder, ficou convencido a ampliar o aprendizado do alfabeto ao lado de um leque de conhecimentos básicos, referentes às necessidades fundamentais da vida, como alimentação sadia, higiene e saúde, direitos humanos etc. Para além das Palavras Geradoras, ponto de partida para a alfabetização, partiu-se para a pesquisa dos Temas Geradores que fossem apropriados também como ponto de partida dos diversos tipos de conhecimentos de um Bem Viver.

Os Centros de Cultura passaram a administrar uma Educação de Base. Pelo fato de serem  Centros de Educação organizados pela Igreja, se tornaram as primeiras Comunidades Eclesiais de Base, cuja finalidade é servirem de base para uma nova sociedade e base de uma nova Igreja. Pouco tempo antes dos militares darem o golpe ditatorial de 1964, a CNBB havia lançado, no Brasil, a primeira cartilha denominada Educação de Base.

À Caminhada desencadeada por Hélder Câmara e Paulo Freire foi se constituindo num autêntico Processo Histórico de Libertação e de Salvação. Libertação tanto das estruturas opressoras de nossos povos, quanto de Evangelização e Salvação de todos em Cristo.

Coube ao Brasil a criação e o lançamento para todo o continente e também para o mundo da Catequese Libertadora. O cuidado com o aprimoramento em passos sucessivos do Conteúdo desse modelo novo de Catequese, coube à figura ímpar do Bispo Pastor Dom Hélder em seu profetismo permanente, e o método dessa Catequese libertária foi obra e graça de Paulo Freire com sua Pedagogia do Oprimido ou Educação para a Prática da Liberdade.

Em nome de todo o Brasil e muito bem coadjuvados por todos os membros da Equipe Nacional de Catequese da CNBB, bem assessorados pelos bispos Dom José da Costa Campos, da cidade de Valença (Rio de Janeiro) titular da Pastoral de mesmo nome junto á CNBB, e de Dom Fragoso da cidade de Crateús (Ceará), num total de quase 10 pessoas, fomos como representação brasileira, lançar os resultados de nossos avanços em relação a uma autêntica Catequese Libertadora para nossa América, participar de uma assembleia internacional que reunia os grandes especialistas em Catequese do mundo inteiro, na denominada 5ª Semana Internacional de Catequese, na cidade de Medellin (Colômbia). Realizou-se esse  conclave de catequistas, um mês antes da grande Assembleia episcopal latino-americana, acontecida nessa mesma cidade colombiana e no mesmo prédio. no mesmo local.

Na 5ª Semana Internacional, perante os maiores especialistas em Catequese do mundo inteiro, a Catequese Libertadora pediu passagem. Coube a nós ler o texto fundamental, resultado de nossos avanços no Brasil.

Não foi fácil. Os debates foram acalorados diante da revolucionária novidade da Libertação que anunciava uma Nova Evangelização e totalmente diferente do que no mundo inteiro circulava sob o rótulo de Renovação Catequética. Para a conjuntura social, política e econômica da América Latina, uma Catequese verdadeiramente Nova tanto no conteúdo quanto na forma ou método, que considerávamos coerente com a situação de pobreza e miséria de nossa América.

Como catequistas do Brasil com missão cumprida perante os especialistas do mundo ali reunidos, com maioria de Catequistas europeus um tanto contrariados e insatisfeitos, por termos privilegiado a situação do nosso continente, retornamos ao Brasil que fervilhava por causa dos golpistas militares em caça às bruxas.

Não houve nem tempo de continuar no exercício de experiências-piloto com a Catequese Libertadora recém lançada e cujas linhas mestras foram adotadas pelos documentos oficiais da Igreja hierárquica depois reunida também em Medellin, no mesmo ano de 1968.

Algumas Fichas Catequéticas lançadas em Porto Alegre, ainda numa espécie de transição entre o modelo catequético europeu que herdáramos desde a colonização européia e o nosso atual de libertação para a América, foram caracterizadas pela ditadura de plantão no Brasil, como altamente subversivas e imediatamente recolhidas pelos esbirros militares em todas as escolas de catequistas em fase de experiência. Houve até prisão de catequista por causa da subversividade das tais Fichas, utilizadas como material de atividades dos Catequizandos.

Resultado: Agora, na Semana que passou, diante de um pequeno público de umas 10 pessoas, facilmente compreensível em seu pequeno número de participantes, tendo presente que o Congresso era de teologia e não de Catequese, constatamos uma vez mais, que a Catequese Libertadora ainda não entrou no Brasil e talvez também não tenha entrado ainda em todo o continente latino-americano em cujo solo nasceu e para cujo solo se destina. A Catequese como leitura dos Sinais dos Tempos ainda não é uma ridente realidade como já acontece com a Teologia de Libertação que acaba de dar a demonstração mais cabal neste Congresso Internacional que acaba de se realizar na cidade de São Leopoldo, na UNISINOS.

Já tivéramos um susto, alguns anos atrás, quando da realização do Encontro Nacional de Comunidades Eclesiais de Base do Brasil, na cidade de Ipatinga (Minas Gerais). Uma das oficinas do programa era sobre a situação da Catequese nas Comunidades Eclesiais de Base. Foi assessorada, a oficina, pela Equipe Nacional de Catequese da CNBB. Reuniu mais de 300 pessoas. Achamos completamente estranha a constatação de que a maioria das pessoas das CEBs do Brasil inteiro, anualmente tem uma dificuldade extrema em arranjar Catequista para suas Comunidades.

Afinal de contas, que dificuldade é essa em relação à Catequese Libertadora? Medo da ditadura já não mais pode ser a causa, porque temos no país uma democracia bem consolidada. O que poderia mesmo ser então?

De qualquer maneira, deixamos aqui consignado nosso testemunho global sobre a Catequese da Libertação como uma catequese por excelência dos Sinais dos Tempos. Como uma ferramenta apta a ler o Processo Histórico de Salvação de Deus, na transparência do Processo Histórico da Libertação total dos povos de nossa América, ambos tendo o Emanuel, (o Deus conosco) puxando a frente.

Resumindo: O processo histórico da CAMINHADA desencadeada pelos Profetas Dom Hélder Câmara e Paulo Freire, em seus passos sucessivos é a demonstração cabal do que significa, em sua globalidade de Processo a própria Catequese da Libertação em sua dupla dimensão: Divina e Humana.

Projeto de brasileira lança novo olhar sobre origem e destino de escravos

Ana Alakija | Crédito da foto: Live Smart Videos

Descendende de escravos, Ana Alakija quer ampliar conhecimento sobre a escravatura

Uma jornalista radicada nos Estados Unidos se dedica, há mais de uma década, à missão de registrar e divulgar a história de vítimas da escravidão e o destino de seus descentes.

O objetivo de Ana Alakija, que é descendente de um clã de um antigo reino iorubá, o segundo maior grupo étnico nigeriano, é destacar aspectos pouco explorados pela ensino oficial de história.

“Peço licença aos meus antepassados africanos para quebrar a tradição de passar nossa história oralmente e apresentar suas memórias de forma mais concreta”, disse à BBC Brasil.

Desde 1997, a jornalista vem reunindo informações e documentos coletados no Brasil e também na África – especificamente em Lagos, na Nigéria – para onde um grupo de africanos e descendentes voltou após a abolição da escravatura.

O esforço resultou na produção de um documentário, um livro e uma série de exposições com fotos, documentos e artesanatos que ilustram a trajetória do grupo interconectado pelo Atlântico.

Escravidão no Brasil

Estima-se que metade dos cerca de 13 milhões de africanos capturados para servirem de escravos nas Américas tenham sido enviados para o Brasil.

Ana se concentra na história que não é ensinada nas escolas, mostrando as conquistas e as contribuições intelectuais, comerciais e políticas dos africanos à sociedade, antes e depois da escravatura.

Um número expressivo de vítimas, por exemplo, fazia parte da elite política e religiosa iorubá, e esses indivíduos foram vendidos como escravos porque eram prisioneiros de guerra. Isso representa uma perspectiva histórica diferente da ideia de servidão passiva dos escravos que é geralmente contada nas salas de aula, segundo a pesquisadora.

Muitos dos escravos brasileiros alforriados reconquistaram o status social de seus antepassados, tornando-se médicos, advogados, comerciantes, políticos e donos de propriedades, tanto na África quanto no Brasil.

Estima-se que metade dos 13 milhões de africanos capturados na África vieram ao Brasil.

Um exemplo do fenômeno é o destino da própria família Alakija, que conectou os dois continentes mesmo após a abolição da escravatura, em 1888.

“Meus bisavós eram vizinhos na África, mas só se conheceram no Brasil. Meu bisavô reconquistou seu título de nobreza e dinheiro quando voltou à Nigéria, estabelecendo lá uma plantação de algodão com o que aprendeu no Brasil”, disse Ana.

O avô da jornalista, Maxwell Alakija, visitou o Brasil na infância e se apaixonou pelo país. No início do século 20, o filho do próspero fazendeiro decidiu estudar advocacia em Salvador, que já contava com uma renomada faculdade de direito. Na Bahia, ele fez carreira como advogado e teve três filhos. O pai de Ana e seu irmão se dedicaram à medicina, e o irmão deles optou pela engenharia civil.

O objetivo da historiadora é que a preservação e divulgação do papel dos negros na África e nas Américas contribuam com a continuidade dos vínculos originalmente estabelecidos entre esses continentes. “Esse diálogo pode ajudar a criar um entendimento mútuo para os relacionamentos entre brancos e negros nas sociedades modernas e multiculturais”, disse Ana.

O projeto da jornalista é intitulado Memorial Alakija e já está programado para ser promovido nos próximos meses em eventos no Brasil, Nigéria, Estados Unidos e alguns países europeus. “Quero ter um sentimento de missão cumprida”, afirma Ana.

IBGE: 47% dos casais homossexuais se declaram católicos

Pela primeira vez na história, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) pesquisou o número de casais homossexuais que dividem uma residência. O número já havia sido revelado: são cerca de 60 mil no País. O que o Censo 2010 ainda não havia mostrado e o instituto divulgou nesta quarta-feira é que quase metade destes casais têm uma religião. E logo uma que condena este tipo de comportamento.

Quarenta e sete por cento dos casais homossexuais que dividem o mesmo teto se declaram católicos – 20,4% não tem religião. “É um dado bastante surpreendente, quando a gente percebe que a maioria dos casais em união consensual declara não ter religião. Entre os homossexuais esta taxa é maior”, declarou o pesquisador Leonardo Queiroz Athias, do IBGE.

É uma estatística que vai de encontro ao que costuma ocorrer nas uniões consensuais – quando o casal opta por “não oficializar” o casamento nem no civil nem no religioso -, que é como 99,6% dos homossexuais declaram a relação. Entre os casais em geral que mantêm este tipo de união, 59,9% afirmam não ter religião. Dos casais que optam pela união consensual, 37,5% são católicos.

O Censo 2010 percebeu que as uniões consensuais são mais frequentes entre pessoas até 39 anos de idade e têm crescido, enquanto os matrimônios têm diminuído. No Censo de 2000, 28,6% das uniões eram consensuais. Em 2010, este número passou para 36,4%. Já o casamento civil e religioso passou de 49,4% dos casos há 12 anos atrás para 42,9% no último levantamento do IBGE.

“Esses números têm a ver com os modos atuais. Hoje em dia a união consensual é mais aceita pela sociedade. Por outro lado, as pessoas também podem esperar mais tempo para casar. Primeiro estão procurando viver novas experiências, fazer uma série de coisas, viajar e trabalhar, por exemplo, e depois pensa em casar”, destacou Athias.

Perfil das uniões entre pessoas do mesmo sexo
A distribuição por sexo das pessoas em uniões homossexuais mostrou que 53,8% delas são entre mulheres e 46,2% entre homens. Cerca de 25% das pessoas neste tipo de união declararam possuir curso superior completo. O Sudeste concentra 52,6% das uniões homoafetivas, e o Nordeste

Brasil Carinhoso reduziu em 40% pobreza extrema entre crianças de até 6 anos

Dilma Rousseff durante apresentação do programa Brasil Carinhoso. Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/ABr

Em quase seis meses de existência, o programa federal Brasil Carinhoso reduziu de forma imediata em 40% a pobreza extrema em famílias com crianças entre 0 e 6 anos de idade, segundo dados de outubro do Ministério do Desenvolvimento Social (MDS).

O programa, que integra o Brasil Sem Miséria, foi lançado em maio com o objetivo de superar a miséria em todas as famílias com crianças nesta faixa etária, além de ampliar acesso a creche, pré-escola e saúde. Para isso, assegura ao menos 70 reais por pessoa em residências com esse perfil.

De acordo com o MDS, antes de o Brasil Carinhoso começar a realizar suas transferências, em junho, havia 13,3% de crianças entre 0 e 6 anos extremamente pobres. Uma porcentagem que caiu para 5% em outubro.

Ao todo, 2,8 milhões de crianças com o perfil da ação foram beneficiadas, reduzindo a miséria em 62% nesta faixa atária. O Nordeste foi a região com a maior queda (73%), seguida pelo Norte (52%), Sul (50%), Sudeste (46%) e Centro-Oeste (45%).

O programa também focou esforços na área da saúde com medicamentos e serviços voltados a crinças nas Unidades Básicas de Saúde (UBS), como a  distribuição de 2,2 milhões de frascos de sulfato ferroso, suplementos de vitamina A e retirada gratuita de medicamentos para asma na rede Farmácia Popular.

Para aumentar as vagas em creches e pré-escolas, o programa amplia a oferta de recursos federais à disposição das prefeituras com repasse adicional de até 1,3 mil reais por aluno para crianças beneficiadas pelo bolsa família, com 930 municípios inscritos para atender 123 mil crianças.

Rei africano do século 14 foi homem mais rico da história, diz site

Atlas catalão de 1375 traz ilustração descrevendo Mansu Musa I

Fortuna de Musa valeria US$ 400 bilhões por valores atuais

Um rei que governou o oeste da África no século 14 teria sido o homem mais rico do mundo, segundo o site americano CelebrityNetworth.com, que reúne informações sobre fortunas de personalidades diversas.

Por valores reajustados segundo a inflação atual, a fortuna pessoal de Mansu Musa I, que vivia na região onde fica hoje o Mali, valeria o equivalente a US$ 400 bilhões (R$ 815,3 bilhões) na ocasião de sua morte, em 1331.

Nascido em 1280, Musa, que ganhou o título de Mansu, que significava rei dos reis, foi o rei do império mali por 25 anos. Seu reino englobava o território atualmente formado por Gana e o Mali e regiões ao redor.Musa foi um devoto muçulmano que ajudou a difundir a fé islâmica pela África e fez do império mali uma potência. Ele investiu fortemente na construção de mesquitas e escolas e fez da capital de seu império, Timbuktu, um centro de comércio, saber e peregrinação religiosa.

O império de Musa respondeu pela produção de mais de a metade do suprimento mundial de ouro e sal, de onde o governante tirou boa parte de sua vultosa fortuna.

Muitos comerciantes vindos da Europa foram a Timbuktu, atraídos pelo ouro e pelas oportunidades de negócios oferecidos pela capital do império erguido por Musa.

Os herdeiros do imperador não teriam conseguido preservar sua vasta riqueza, devido a perdas provocadas por guerras civis e invasões realizadas por conquistadores.

Lista

A relação elaborada pelo CelebrityNetworth.com inclui as 25 fortunas que o site diz serem as maiores de todos os tempos.

Na lista, há nomes conhecidos como Bill Gates (em 12º lugar, com uma fortuna estimada em US$ 136 bilhões) e Warren Buffet (em 25º, com uma fortuna avaliada em US$ 64 bilhões).Os bilionários que integram a relação das maiores fortunas têm, segundo estimativas do CelebrityNetworth.com, uma fortuna acumulada equivalente a US$ 4,317 trilhões (cerca de R$ 8,8 trilhões).

A relação das 25 maiores fortunas da história é composta apenas por homens.

Um total de 14 dos 25 integrantes da compilação formulada pelo site são americanos.

O empresário Bill Gates é o homem mais rico entre os bilionários ainda vivos que constam da lista.

Ele aparece à frente do mexicano Carlos Slim, que vem sendo listado como o homem mais rico do mundo no ranking da revista Forbes, mas que aparece na relação como o 22º mais rico, com uma fortuna estimada em US$ 68 bilhões.

 

Os homens mais ricos da história *

  1. Mansa Musa I – US$ 400 bilhões
  2. Família Rothschild – US$ 350 bilhões
  3. John D. Rockefeller – US$ 340 bilhões
  4. Andrew Carnegie – US$ 310 bilhões
  5. Nikolai Alexandrovich Romanov – US$ 300 bihões
  6. Mir Osman Ali Khan – US$ 230 bilhões
  7. Guilherme, o Conquistador – US$ 229,5 bilhões
  8. Muamar Khadáfi – US$ 200 bilhões
  9. Henry Ford – US$ 199 bilhões
  10. Cornelius Vanderbilt – US$ 185 bilhões

* Lista elaborada pelo site CelebrityNetworth