Santo Antônio

Na tradição popular, Santo Antônio é lembrado como “casamenteiro”. Tradição antiga e difícil de explicar como surgiu… Uma outra tradição ligada ao santo é a da sua relação com o menino Jesus: quase todas as imagens do santo o apresentam com o menino no colo. Há muitas lendas sobre isso.
Há um outro dado, no entanto, que não é lembrado e que devia sê-lo: Antônio foi o primeiro frade a dedicar-se ao estudo e ensino da Teologia. Por isso, a imagem de Antônio com a Bíblia na mão, talvez seja a mais significativa da vida do Santo. Para além, é claro, das legendas!
Todos casos, boa festa e, para aqueles e aquelas que estão atrás de um(a) cara-metade, boa sorte…

Corpus Christi

A Igreja celebra nesta quinta-feira a Festa de Corpus Christi. Com muitas procissões, tapetas, missas e bênçãos eucarísticas o Povo de Deus celebra a presença de Deus vivo no meio de nós.
É uma linda manifestação pública e estética que atrai a muitos cristãos que, por razões várias, tem dificuldade em participar regularmente das celebrações católicas.
Ao buscar na Bíblia algumas referências para esta celebração, me encontrei com uma frase de Paulo que pode nos ajudar a compreender algo do sentido desta festa. É na Carta aos Coríntios, capítulo 12, quando, depois de fazer uma longa reflexão sobre a situação da comunidade de Corinto que está dividida pela disputa de cargos e eminências, Paulo fala da necessidade de todos, na diversidade de dons e carismas, colocaram-se ao serviço uns dos outros para a edificação da comunidade cristã.
Paulo termina sua argumentação com a seguinte frase: “Se um membro sofre, todos os membros compartilham o seu sofrimento; se um membro é honrado, todos os membros compartilham a sua alegria. Ora, vós sois o Corpo de Cristo e sois os seus membros, cada um por sua parte.”
Que a festa do Corpo de Cristo que é a Igreja e da qual cada cristão é um dos membros seja um momento para refletirmos sobre a unidade na diversidade na Igreja e o ministério como serviço e não como poder.
Boa festa a cada um e cada uma!

Cavalo dado não se olha os dentes!

 zé roberto grêmio grêmio apresentação odone (Foto: Diego Guichard/Globoesporte.com)O título desta postagem foi só prá chamar a atenção para uma notícia que me pareceu insólita e me revirou o estômago. Ao abrir o site do G1rs me deparei com a manchete: “Zé Roberto tira a camisa para provar boa forma na chegada ao Grêmio”. E, para comprovar o fato, aí estava a foto para nao deixar dúvidas…
Respeito muito o Zé Roberto. Além de um excelente jogador de futebol, mostrou em sua longa carreira ser uma atleta que sempre levou muito a sério a sua profissão o que o levou a ser um dos jogadores mais longevos do futebol brasileiro e mais respeitado no exterior. Sua longa passagem de oito anos pelo futebol alemão fala por si só. Junto com Lúcio, para falar dos mais recentes, é um dos atletas que mais honram sua condição profissional e cidadã. Bem diferente de outros jogadores que aos 32 anos estão acabados para o futebol e em nada servem como inspiração para as novas gerações.
Não sei o que passou pela cabeça do Zé Roberto no momento em que, questionado sobre seus trinta e oito anos, resolvou comprovar seu bom estado físico – do qual ninguém duvida – tirando a camisa. Na minha cabeça, porém, vieram à tona imagens do tempo da escravidão em que os negros trazidos da África eram exibidos nus em praça pública para que os possíveis compradores comprovassem suas qualidades físicas para o trabalho escravo. Certamente na cabeça do Zé Roberto isso não passou. Mas, pelo olhar e sorriso do Paulo Odone, talvez transpareça aquele chamativo apelo do comprador de escravos: “vejam que bela peça adquiri”! Isso só reflete o modo como muitos dirigentes no Brasil enchergam seus jogadores de futebol, especialmente se são negros.

Dividir e desgovernar

Seria ingênuo imaginar que a corrupção e as conspirações brotaram de repente dos corredores do Vaticano: elas têm uma longuíssima tradição. A pergunta a ser feita é: por que tanta informação a esse respeito vem à luz ao mesmo tempo agora? Não se trata, decerto, de um esforço de transparência por parte do papado. Também não se trata de um deslize no uso da internet ou do trabalho de hackers, até porque as instituições eclesiásticas são conservadoras demais para fazer uso intensivo dessa ferramenta. Os vazamentos aconteceram à moda antiga, por meio de boatos e documentos em papel, ao velho estilo dos Pentagon Papers, de 1971, e do Caso Watergate, de 1973, que foram publicados em livro pelo jornalista Gianluigi Nuzzi.
Para desvendá-los, Joseph Ratzinger, o papa Bento XVI, nomeou uma comissão de três cardeais presidida pelo espanhol Julian Herranz, que conviveu por 22 anos com Josemaría Escrivá, o fundador da Opus Dei, escreveu um livro a seu respeito e é hoje o integrante da organização com mais alto cargo na hierarquia eclesiástica. O responsável, segundo eles, foi o mordomo do papa, Paolo Gabriele. Apanhado com documentos confidenciais e material para reproduzi-los em casa, foi preso em 24 de maio e pode ser condenado a 30 anos de prisão por “atentado à segurança” do Vaticano.

Leia a íntegra da reportagem da REvista Carta Capital em Dividir e desgovernar

Trindade

A Igreja celebra neste final de semana a Festa da Santíssima Trindade. Dizer Trindade, é dizer o nome de Deus. E, como é impossível dizer quem Deus é, a linguagem da Trindade tenta dizer aquilo que é inefável, o próprio ser de Deus. Quando não conseguimos definir algo, tentamos nos aproximar do sentido que ele tem para nós através da linguagem simbólica. É nesse nível que a Igreja sempre usou da expressão Deus é Trindade. Mais do que uma expressão conceitual, lógica, que tenta definir o que é Deus, dizer Deus é Trindade se situa no nível da linguagem analógica, aproximativa e mistagógica. É um modo de nos aproximar dAquele que é o sentido último de nossa existência e, ao mesmo tempo, interpelação ao nosso modo de ser.
Dizer que Deus é Trindade é afirmar que ele é Pai, que está no origem e acima de todas as coisas e que nos criou no seu amor e por nós vela quotidianamente com amor de Mãe. Dizer que é Filho, é senti-lo junto a nós caminhando nos senderos da vida em busca e na construção da libertação de toda a dor e todo o sofrimento que homens, mulheres e toda a criação sofrem fruto da injustiça. Dizer que Deus é Espírito, é senti-lo dentro de nós e de todas as criaturas mantendo-nos em vida e impelindo-nos em direção a Si mesmo.
Dizer que Trindade é um só Deus, é dizer que Ele é amor e que na pluralidade de seu ser em eterna relação de doação e acolhida mútua se constrói a unidade entre diferentes. E que isso é o Amor de Deus que nos chama ao Seu Amor.
Boa festa da Santíssima Trindade a cada um e cada uma e a todos e todas conjuntamente!

O Ridículo do Jornal Nacional

Depois de uma sexta-feira longa e exaustiva e quase duas horas no trânsito para chegar em Canoas – pouco mais de 20 quilômetros de Canoas a Porto Alegre – tomei um banho e, enquanto comia algo, assisti o JN da Globo. Tudo ia “muito normal no mundo irreal” do Bonner e Cia quando, de repente, uma reportagem que, ao ser observada, beirava ao surrealismo ou a ridículo… Era sobre um protesto em Buenos Aires contra as medidas do governo argentino de Cristina Kirchner. Com uma solenidade sem par, Bonner anunciava uma manifestação “como não se via na Argentina desde 2008”. Entra o repórter e, com imagens quase em “close”, mostra um grupo de senhoras fazendo um panelaço. Quando a imagem abre, percebe-se que o cinegrafista faz um esforço descomunal para dar uma aparência de multidão a um grupo de não mais de 20 pessoas que fazem o “maior protesto dos últimos tempos” na Argentina!
Quem acompanha a política Argentina dos últimos anos tem muitas coisas boas a dizer a respeito do governo Kirchner, tanto da Cristina como de seu falecido marido, como também tem muitas coisas que podem ser questionadas no “peronismo de resultados” dos dois. O grande mérito foi ter resgatado a dignidade do país depois do desastre de Menene Cia.
Agora, entre qualquer avaliação do governo de Kirchner e uma reportagem tão ridícula como a apresentada, brota uma pergunta: qual o interesse da Globo com tudo isso++
Se alguém tiver uma resposta, por favor, me ajude!

Dia Mundial de Combate ao Tabaco

Crianças usam máscaras antitabaco em Calcutá, na Índia, durante o Dia Mundial sem Tabaco Leia Mais
O cigarro é um mal que mata cerca de 200 mil brasileiros por ano, segundo a Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS). Neste dia 31 de maio é comemorado o Dia Mundial de Combate ao Fumo e em todos os quatro cantos do Planeta ocorrem manifestações contra o hábito, ou melhor, a doença, como é considerado o vício agora.
Atualmente, 17,5% da população do Brasil é fumante, o que corresponde a 25 milhões de pessoas, sendo 60% homens e 40% mulheres.
Nos últimos dez anos, estima-se que 50 milhões de pessoas morreram como resultado do uso do tabaco. Apenas em 2010, cerca de 6 milhões de pessoas morreram no mundo de acordo com informações da 4ª edição do Atlas do Tabaco lançado pela Sociedade Americana do Câncer e pela Fundação Mundial do Pulmão.
De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), o tabagismo é a principal causa evitável de mortes do mundo. Para conscientizar sobre todos os males que o cigarro pode trazer ao organismo, nesta quarta-feira, dia 30, médicos da Sociedade Paulista de Pneumologia e Tisiologia (SPPT), varrem a avenida Paulista, na Capital, recolhendo as bitucas de cigarro nas imediações.
“Queremos conscientizar as pessoas sobre os males que o tabagismo causa, sendo o ato de recolher bitucas uma ação bastante simbólica”, declara a presidente da SPPT, dra. Mônica Corso.
Paralelo a varredura, ocorrerá uma série de serviços aos cidadãos, além de distribuição de folhetos informativos. Serão feitos exames como o de Fagerström, questionário que afere o grau de dependência da nicotina e é utilizado mundialmente como ferramenta não invasiva de avaliação; medição dos fluxos expiratorios do paciente (equipamento simplificado de função pulmonar) para avaliar a capacidade respiratória; e dosagem de monóxido de carbono no ar expirado pelo paciente.
“Todos os testes oferecerão diversas informações sobre possíveis alterações da função pulmonar, sobre o grau de dependência à nicotina e sobre a necessidade de tratamento”, explica a dra. Mônica.
De acordo com estimativas da Fundação Getúlio Vargas, o fumante gasta em média 6% do que ganha para bancar o vício. No mercado brasileiro são consumidos cerca de 100 bilhões de cigarros por ano, sendo 2 bilhões de produtos ilegais, ou seja, sem a devida fiscalização; o restante é do mercado oficial.
As consequências do tabagismo são inúmeras, a começar pelos prejuízos financeiros. Além do valor gasto com o consumo de produtos derivados do tabaco, o indivíduo pode vir a ter despesas com o tratamento de doenças desencadeadas por esses produtos.
O maior prejuízo, no entanto, continua sendo para a saúde. O consumo do cigarro pode desencadear problemas como infarto agudo do miocádio, câncer – pulmão, laringe, bexiga, etc, – doenças do pulmão, DPOC/enfisema, maior incidência de partos prematuros e osteoporose, entre outros.
O tabagismo é considerado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) a principal causa de morte evitável em todo o mundo. A estimativa é de que um terço da população mundial adulta seja fumante. Embora os números ainda sejam espantosos, estudo realizado pelo Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas Psicotrópicas (CEBRID) mostra que a prevalência de tabagismo entre a população adulta brasileira caiu nos últimos anos.
Iniciativas como a divulgação de informações sobre os malefícios do tabaco nas embalagens ou a aprovação da lei que garante ambientes livres de cigarro, bem como ações de entidades médicas e ONGs de combate ao tabagismo têm contribuído para o aumento da conscientização da população.

Uma crise previsível

O papa Bento 16 no Vaticano (Filippo Monteforte-2.mar.2011/France Presse)

Todos acompanhamos com enorme tristeza os fatos que vem sendo divulgados pela imprensa internacional envolvendo os mais variados personagens do Vaticano, desde o mordomo, passando por cardeais até chegar a Bento XVI.
O que há de verdade em tudo isso, talvez nem o tempo consiga revelar… O certo é que foi criada uma situação que, tanto no aspecto pessoal como no institucional, é constrangedora.
Constrangedora para o Papa e as pessoas que o rodeiam que se mostram em toda a sua (des)humanidade de homens que mesclam interesses pessoais com o exercício dos mais altos cargas numa instituição de âmbito universal.
Constrangedora para a Igreja Católica que vê questões do mais alto interesse institucional sendo tratadas como objeto de barganha em disputas pessoais. A perda de confiança institucional é, com certeza, a consequência maior deste tipo de situação.
Mas como tudo isso pode acontecer++ Pode, com certeza, haver maldade e pecada na ação de pessoas que transitam pelos ambientes Vaticanos. E aí cabe punição legal e arrependimento e pedido de perdão. Mas isso não explica tudo. Talvez há que se aprofundar numa análise das condições institucionais que possibilitam que situações como essa encontrem ambiente para se desenvolver. A nossa ver, uma Igreja que se volta cada vez mais para dentro e busca a todo custo reforçar sua dimensão intra-institucional acaba criando o “caldo de cultura” para tornar-se ela mesma objeto de disputa.
Se a preocupação da Igreja fosse em contribuir para a solução dos graves problemas que a humanidade, neste iníciodo séc XXI enfrenta, talvez estas questões menores não ocupassem tanto espaço na imprensa a ponto de por em risco a credibilidade da instituição.
Em outros termos, “quem procura acha”, ou seja, quem só se preocupa com questões intra-institucionais acaba gerando disputas intestinas na própria casa.