
Uma crise previsível


Para que tenhamos ter uma idéia das histórias pregressas de Gilmar Mendes, segue abaixo um link para a coluna do Nassif na Revista Carta Capital. Vale a pena ler: A primavera brasileira | Carta Capital
A Igreja celebra neste Domingo a Festa do Pentecostes. Para além das muitas imagens e dos muitos textos bíblicos, a festa quer significar que um da Trindade habita a humanidade e o mundo. Para o cristão, Deus não é uma realidade distante e ausente.
No Pai, Ele está no princípio e sustenta todas as coisas como criador. No Filho, Deus se faz presente no mundo na condição humana. primeira e historicamente, essa presença se realizou na pessoa de Jesus de Nazaré que, passou no mundo fazendo o bem, foi por isso crucificado e morto pelos poderosos de seu tempo, mas Deus o Ressuscitou e ele continua vivo e presente no meio de Deus.
E, no Espírito, mais do que estar “no meio” de nós, Ele está dentro de nós e de cada criatura sendo a Vida que nos conduz na comunhão do Filho e no retorno ao seio do Pai. Todo cristão é um entusiasmado, alguém que leva Deus dentro de si e que, por isso, não pode conformar-se com nenhuma realidade do mundo. Todo cristão e toda cristã são chamados a viverem transfiguradamente, neste mundo, a imagem futuro do ser humano em Deus. Impelido pelo Espírito, cada um e cada uma é chamado a, com Moisés e o Povo de Israel que parte do Egito em busca de libertação, deixar para trás todas as estruturas de pecado e, conduzidos pelo vento de Deus e a nuvem de fogo, construir uma nova sociedade em que o maná seja partilhado e não acumulado, em que haja a terra prometida e trabalho digno para todos, em que todas as famílias, independente de sua composição, habitem as casas que constroem e as cidades não sejam lugares para ter medo e derramar sangue, mas espaços onde todos, nas suas diversidades, possam viver a alegria de estar juntos.
Pentecostes é a festa que não nos deixa parar de sonhar com a nova oikoumene onde todos os povos, provindos de todos os cantos do mundo, acolham-se mutuamente e, cada um expressando-se na sua cultura e na sua língua, se sintam acolhidos, amados e enviados para espalhar a boa nova da convivência fraterna e sororal entre todos.
Que o Espírito nos ilumine!
Semana corrida… Parece que o tempo anda cada vez mais rápido! Pensando, bem, o ritmo do tempo é sempre o mesmo. Nós é que achamos que podemos ir mais rápidos e, como todo aquele que a busa da velocidade, acabamos correndo risco de acidente!
Ontem, no Unilasalle, em Canoas, participei de uma painel com o tema “2012: Fim do Mundo”. Foi interessantíssimo, sob muitos aspectos. Um deles, o de que, se não pararmos de andar para a frente, o fim chegará!…
Como hoje está difícil de pensar e escrever algo sério – mesmo que breve – transcrevo um artigo de Thomas Wood Junior publicado na última edição da Revista Carta Capital. É sobre a ciência e o ritmo exigido de todos os que se dedicam ao trabalho acadêmico. Vale a pena ler!
O frenesi da globalização e seus descontentes. Consta que tudo começou com o cozinheiro Carlo Petrini. Na década 1980, este italiano participou de uma campanha contra a abertura de uma loja McDonald’s em Roma. Nasceu pouco depois o movimento Slow Food, voltado para a preservação da cozinha regional e tradicional, contra a mesmice e a pressa do onipresente fast-food. O sucesso cruzou fronteiras e atraiu seguidores em mais de 150 países. Na esteira, vieram o slow living, o slow travel e o slow cities. Como guarda-chuva, cunhou-se o termo slow movement.
Um filósofo norueguês – Guttorm Floistad – conferiu ao movimento poesia e princípios: “A única coisa que podemos tomar como certeza é que tudo muda. A taxa de mudança aumenta. Se você quer acompanhar, melhor se apressar. Esta é a mensagem dos dias atuais. Porém, é útil lembrar a todos que nossas necessidades básicas não mudam. A necessidade de ser considerado e querido! A necessidade de pertencer. A necessidade de estar próximo e de ser cuidado, e de um pouco de amor! E isso é conseguido apenas pela desaceleração das relações humanas. Para ganharmos controle das mudanças, devemos recuperar a lentidão, a reflexão e a capacidade de estarmos juntos. Então encontraremos a verdadeira renovação”.
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Agora, da terra do resistente Asterix, nos chega uma nova onda do slow movement: a slow science. Seus arautos condenam a cultura da pressa e do imediatismo que invadiu, nos últimos anos, as universidades e outras instituições de pesquisa. A fast science, segundo os rebeldes franceses, busca a quantidade acima da qualidade. Aprisionados pela lógica do “produtivismo” acadêmico, os pesquisadores tornam-se operários de uma linha insana de montagem. E quem não se mostrar agitado e sobrecarregado, imerso em inúmeros projetos e atividades, será prontamente cunhado de improdutivo, apático ou preguiçoso.
Os cientistas signatários da slow science entendem que o mundo da ciência sofre de uma doença grave, vítima da ideologia da competição selvagem e da produtividade a todo preço. A praga cruza os campos científicos e as fronteiras nacionais. O resultado é o distanciamento crescente dos valores fundamentais da ciência: o rigor, a honestidade, a humildade diante do conhecimento, a busca paciente da verdade.
A “mcdonaldização” da ciência produz cada vez mais artigos científicos, atingindo volumes muito além da capacidade de leitura e assimilação dos mais dedicados especialistas. Muitos trabalhos são publicados, engrossam as estatísticas oficiais e os currículos de seus autores, porém poucos são lidos e raros são, de fato, utilizados na construção da ciência.
Os defensores da slow science acreditam que é possível resistir à fast science. Sonham com a possibilidade de reservar ao menos metade de seu tempo para a atividade de pesquisa; de livrarem-se, vez por outra, das demandantes atividades de ensino e das tenebrosas atividades administrativas; de privilegiar a qualidade em detrimento da quantidade de publicações; e de preservar algum tempo para os amigos, a família, o lazer e o ócio.
A eventual chegada da onda da slow science aos trópicos deve ser observada com atenção. Por aqui, cruzará com a tentativa de fomentar a fast science. Entre nós, o objetivo de aumentar a produção de conhecimento levou à criação de uma slow bureau-cracy, que avalia e controla o aparato científico. A implantação gradativa da lógica fast, com seus indicadores e suas métricas, pretende definir rumos, estabelecer metas, ativar as competências criativas da comunidade científica local e contribuir para a construção do futuro da augusta nação. Boas intenções!
Os efeitos colaterais, entretanto, são consideráveis. A lógica fast está condicionando os cientistas operários a comportamentos peculiares. Sob as ordens de seus capatazes acadêmicos ou por iniciativa própria, eles estão reciclando conteúdos para aumentar suas publicações; incluindo, em seus trabalhos, como autores, colegas que pouco ou nada contribuíram; e assinando, sem inibição, artigos de seus alunos, aos quais eles pouco acrescentaram. Tudo em prol da melhoria de seus indicadores de produção.
Enquanto as antigas gerações vão se adaptando, aos trancos e barrancos, ao modo fast, as novas gerações de pesquisadores já são formadas sob os princípios da nova doutrina. Aqui, como ao norte, vão adotando o lema da fast science: publish or perish (publique ou desapareça). E, se o objetivo é publicar, vale tudo, ou quase tudo. Para onde vão os cientistas e a ciência? O destino não é conhecido, mas eles estão indo cada vez mais rápido.
Una-se você também à Campanha pelo veto ao Código Floresta!

As próximas eleições municipais de Porto Alegre podem ser protagonizadas por uma estranha aliança: o Pcdo B e o PP estão namorando com perspectivas sérias de casamento. Pelo menos, os dois dizem querer…
Em tempos de Comissão da Verdade, é um fato que dá o que pensar: a partido que teve o maior número de vítimas da repressão militar sendo apoiado pelo partido que sustentou a ditadura! Sinais dos tempos… O problema é saber para onde indicam! Pode tanto ser um esquecimento da história como uma perda de referências de futuro.
Acontecimentos do cenário sempre movente da política parecem, no entanto, indicar que esta aliança vai ser desfeita antes da consumação – sem sangue, esperamos – do casamento. Um outro pretendente está entrando no páreo e esperamos tenha condições de levar a melhor.
Por enquanto, permitamonos uma brincadeira com sugestões de nomes para a Aliança PCdoB PP:
a) Aliança Sadomasoquista por Porto Alegre;
b) Unidos pela Ditadura (mesmo que em campos opostos, sempre unidos!);
c) Unidos por Estocolmo (não a cidade, mas a Síndrome de Estocolmo);
d) Antes mal acompanhado do que só (o problema é saber o sujeito da frase…).
Se você tiver alguma sugestão, envie!