Lugo, o golpe e os golpistas brasileiros

Ontem, voltando do trabalho, vinha escutando a BandNews de Porto Alegre. Um pouco antes das 19 horas entra o comentarista Diego Casagrande e, para minha surpresa, começa a falar da votação no Senada paraguaio que acabava de ser encerrada com a derrubada do Presidente Lugo. O que mais me surpreendeu no comentário não foi a informação por mim ainda desconhecida até aquele momento. O que mais me deixou estupefato foi a desfaçatez com que o comentarista se regozijava com o Golpe de Estado perpetrado pelo Senado Paraguaio. A alegria de Diego Casagrande era mais do que indisfarçável: era explícita! O argumento principal: Lugo era aliado dos Sem Terra e, como tal, deveria ser deposto!
É com essa imprensa que lidamos… Pobre Paraguai; Pobre Brasil; Pobre BandNews!

O menino e a Eucaristia

Mãe e pai ficaram revoltados com atitude do padre (Foto: Alexandre dos Santos/RBS TV)Todos acompanhamos com profundo sentimento o fato acontecido em Bom Princípio em que um menino portador da Síndrome de Down teria sido impedido de tomar a comunhão por decisão do padre.
Conheço o Pe. Pedro e a sua sensibilidade pastoral. Minha primeira reação foi a de duvidar de que as coisas tenham sido tal qual foram descritas por certo setor da imprensa. Mas, como não tive acesso direto à fonte, fico esperando o desenlace. Agora chegou a notícia de que o Bispo de Montenegro, Dom Paulo de Conto, teria afirmado que o menino vai receber a comunhão. É apenas questão de tempo.
O que eu queria comentar aqui foi o argumento que teria sido utilizado para negar a comunhão ao menino: ele não saberia o que estava acontecendo, ou seja, não teria consciência do sentido da Eucaristia. O mesmo argumento teria sido utilizado pelo bispo para justificar a ação do Pe. Pedro.
Se este argumento foi utilizado ou não, não tenho certeza. Mas, no caso de ter sido utilizado, não iria de acordo ao ensinamento da Igreja. A doutrina mais tradicional da Igreja a respeito dos Sacramentos é a do Concílio de Trento. Ela afirma que os Sacramentos tem validade em si mesmos, independentes da vontade da pessoa que os administra ou recebe. Eles são não atuam a sua potencialidade quando a pessoa que os recebe se posiciona sobre o que eles querem significar. No caso do menino, ele não saberia o significado dos sacramentos, mas a eles não se oporia. Portanto, não haveria porque impedi-lo de participar.
Se o argumento de que é necessário saber o que está acontecendo para que o sacramento tivesse validade, não poderíamos batizar crianças. Eles não sabem o que está acontecendo!
Com ou sem razão, todos nos alegraremos no dia em que o menino de Bom Princípio receber a comunhão.

Ironias da História: Fundador do Wikileaks pede asilo político ao Equador

Julian Assange, fundador do Wikileaks | Foto: Reuters Nas décadas de 70 e 80, era comum que ativistas políticos latinoamericanos pedissem asilo em embaixadas de países europeus no continente e que, depois de longas negociações, encontrassem refúgio nas democracias do norte da Europa, no Canadá, no México ou em Cuba.
No início do Terceiro Milênio, o caminho começa a se redesenhar com a inversão da via: europeus buscando asilo em embaixadas latinoamericanas! Quem diria…
Veja abaixo a reportagem da  BBCBrasil sobre o caso Assange:

BBC Brasil – Notícias – Fundador do Wikileaks pede asilo político ao Equador

Bagé com chuva!

No último fim de semana, em função do Curso de Teologia Popular, tive a ocasiao de ir mais uma vez a Bagé. Há quase dois anos não tinha ocasião de ir à Rainha da Fronteira. A viagem, em ônibus da Ouro e Prata, foi confortável. Nas primeiras duas horas pude utilizar o serviço de Internet à Bordo da empresa. A promessa era grande… a realidade, uma decepção. Uma sinal fraquíssimo que a todo momento sumia. Depois de Pantano Grande, o sinal simplesmente desapareceu. Na prática, um serviço realmente virtual!
Junto com o curso tive a oportunidade de conviver com os freis da Fraternidade de Bagé. Muito bom encontrá-los e sentir que estão bem. A cidade também me impressionou positivamente. Em dois anos, as mudanças são perceptíveis. Cidade limpa, bonita, praças bem organizadas, muitas construções. Parece que o dinamismo econômico está retomando.
No Colégio Salesiano, onde foi realizado o CTP, a Prefeitura de BAgé estava promovendo, desde a quina-feira, o 10 Festival de Dança de Bagé com presença de grupos de todo o Rio Grande do Sul. Um evento que mostra o dinamismo da cidade e o interesse da administração com a dimensão cultural, especialmente dos jovens, da cidade e região.
Junto com o frio –  dois graus Celsius – veio a chuva. Tanto na ida como na volta, a viagem foi mais agradável pois podia-se perceber a volta da chuva e o alívio na seca. Não o suficiente para acabar com o racionamento de água. Mas, para quem tem pouco, um pouco a mais sempre faz bem.
Em setembro, se tudo der certo, estarei de volta a Bagé.

Intervenção na Conferência de Religiosas dos Estados Unidos

Muitos de nós temos acompanhado com tristeza e aprensão a intervenção da Congregação para a Doutrina da Fé do Vaticano na Conferência de Lideranças Femininas da Vida Religiosa dos Estados Unidos. Segue abaixo o texto do Comunicado da CLAR sobre esta intervenção.

Comunicado de la CLAR sobre la intervención a la LCWR
La Presidencia de la Confederación Caribeña y Latinoamericana de Religiosas/os, CLAR, reflejando el sentimiento de las Religiosas y Religiosos del Continente, recibió con pena la noticia de la intervención de la Congregación para la Doctrina de la Fe, CDF, a la Conferencia de Religiosas Líderes de Estados Unidos, LCWR. Conocido su comunicado de prensa, manifiesta que:
1.         Hemos estado viviendo y leyendo el hecho a la luz de la consigna del actual trienio, “Escuchemos a Dios donde la vida clama”, y de la narración de los Hechos de los Apóstoles que precisamente estuvimos leyendo durante el tiempo litúrgico de Pascua. Allí nos hemos fijado en:
1.1.         Cómo vivían los primeros cristianos: ‘A la escucha de la enseñanza de los apóstoles, unidos y  participando en la eucaristía y las oraciones, todo lo tenían en común y lo compartían alegremente, sobre todo con los más necesitados’ (2,42-47; 4,32-35; cf 2Cor 8-9); ‘sin hacer acepción de personas’ (10,34); ‘con una gran libertad’ (4,19; 4,29), y ‘convencidos de la obra de Dios’ (5,38-39).
1.2.         Cómo resolvían sus dificultades internas, por ejemplo cuando la predicación del evangelio se abrió a los gentiles y la corriente judaizante se oponía, ya en el caso de Pedro (11,1-18), ya en el caso de Pablo (15,1-31), o cuando ambos se confrontaron en Antioquía (cf Gal 2,11-14) donde precisamente “comenzaron a llamar a los discípulos cristianos” (11,26): dialogando, debatiendo, tolerando, abriéndose… para asegurar la unidad y la coherencia.
1.3.         Cómo era el papel de las mujeres: “Los apóstoles solían reunirse de común acuerdo en compañía de algunas mujeres” (1,14); ellas daban testimonio martirial de la fe (9,2) y apoyaban a los pobres y la acción evangelizadora con generosidad (9,36-42); eran importantes en las comunidades de Jerusalén, Filipos (16,3-15.40), Tesalónica (17,4; cf Flp 4,2), Berea (17,2), Atenas (17,34), Corinto (18,2.18; cf 1Cor 16,19; 2Tim 4,19), Tiro (21,5), Cesarea (21,9), Cencreas (cf Rom 16,1-4); aún más, algunas de ellas fueron diaconisas y profetisas (21,9); los Hechos y las Cartas de Pablo conservan algunos de sus nombres: Tabita, Lidia, Evodia, Damaris, Priscila, Febe.
De esta manera la primitiva comunidad cristiana ‘predicaba valientemente la Palabra’ (4,29.31; 8-25) y hacía que ésta ‘creciera y se robusteciera poderosamente’ (11,19-20; 12,  24; 13, 19; 19, 10) y “fuera conocida, y así el número de discípulos aumentara” (6,7).
2.         A la luz de este testimonio paradigmático, esperamos que:
2.1.         El viaje de la directiva de la LCWR a Roma, nuevamente, para el diálogo con la CDF, sea como el de ‘Pablo y Bernabé y algunas y algunos otras y otros, a Jerusalén, para tratar estos asuntos con los apóstoles y los responsables’ (15,2), produzca los mismo resultados en bien de la comunión eclesial, gracias a que se tomen decisiones “de acuerdo con el resto de la comunidad” (15,22).
2.2.         Estas circunstancias ayuden a la Iglesia a conservar los valores del diálogo, la tolerancia, el respeto y la apertura de sus primeros tiempos y de los nuestros, que fueron inaugurados por el Concilio Vaticano II.
2.3.         Las medidas tomadas no ignoren el papel de la mujer en la construcción de “la civilización del amor y la esperanza”, de las Religiosas en la llegada del Reino, y de las que pertenecen a la LCWR en la Iglesia y la sociedad de Estados Unidos, a favor de los pobres.
Confiamos en la intercesión de ‘la Virgen María, que acompañaba a los apóstoles y a las mujeres en sus reuniones’ (1,14).
Hno. Paulo Petry, FSC                                                                                                   P. Gabriel Naranjo Salazar, CM
Presidente de la CLAR                                                                                                     Secretario General de la CLAR
Bogotá, D.C., 13 de junio de 2012

Santo Antônio

Na tradição popular, Santo Antônio é lembrado como “casamenteiro”. Tradição antiga e difícil de explicar como surgiu… Uma outra tradição ligada ao santo é a da sua relação com o menino Jesus: quase todas as imagens do santo o apresentam com o menino no colo. Há muitas lendas sobre isso.
Há um outro dado, no entanto, que não é lembrado e que devia sê-lo: Antônio foi o primeiro frade a dedicar-se ao estudo e ensino da Teologia. Por isso, a imagem de Antônio com a Bíblia na mão, talvez seja a mais significativa da vida do Santo. Para além, é claro, das legendas!
Todos casos, boa festa e, para aqueles e aquelas que estão atrás de um(a) cara-metade, boa sorte…

Corpus Christi

A Igreja celebra nesta quinta-feira a Festa de Corpus Christi. Com muitas procissões, tapetas, missas e bênçãos eucarísticas o Povo de Deus celebra a presença de Deus vivo no meio de nós.
É uma linda manifestação pública e estética que atrai a muitos cristãos que, por razões várias, tem dificuldade em participar regularmente das celebrações católicas.
Ao buscar na Bíblia algumas referências para esta celebração, me encontrei com uma frase de Paulo que pode nos ajudar a compreender algo do sentido desta festa. É na Carta aos Coríntios, capítulo 12, quando, depois de fazer uma longa reflexão sobre a situação da comunidade de Corinto que está dividida pela disputa de cargos e eminências, Paulo fala da necessidade de todos, na diversidade de dons e carismas, colocaram-se ao serviço uns dos outros para a edificação da comunidade cristã.
Paulo termina sua argumentação com a seguinte frase: “Se um membro sofre, todos os membros compartilham o seu sofrimento; se um membro é honrado, todos os membros compartilham a sua alegria. Ora, vós sois o Corpo de Cristo e sois os seus membros, cada um por sua parte.”
Que a festa do Corpo de Cristo que é a Igreja e da qual cada cristão é um dos membros seja um momento para refletirmos sobre a unidade na diversidade na Igreja e o ministério como serviço e não como poder.
Boa festa a cada um e cada uma!

Cavalo dado não se olha os dentes!

 zé roberto grêmio grêmio apresentação odone (Foto: Diego Guichard/Globoesporte.com)O título desta postagem foi só prá chamar a atenção para uma notícia que me pareceu insólita e me revirou o estômago. Ao abrir o site do G1rs me deparei com a manchete: “Zé Roberto tira a camisa para provar boa forma na chegada ao Grêmio”. E, para comprovar o fato, aí estava a foto para nao deixar dúvidas…
Respeito muito o Zé Roberto. Além de um excelente jogador de futebol, mostrou em sua longa carreira ser uma atleta que sempre levou muito a sério a sua profissão o que o levou a ser um dos jogadores mais longevos do futebol brasileiro e mais respeitado no exterior. Sua longa passagem de oito anos pelo futebol alemão fala por si só. Junto com Lúcio, para falar dos mais recentes, é um dos atletas que mais honram sua condição profissional e cidadã. Bem diferente de outros jogadores que aos 32 anos estão acabados para o futebol e em nada servem como inspiração para as novas gerações.
Não sei o que passou pela cabeça do Zé Roberto no momento em que, questionado sobre seus trinta e oito anos, resolvou comprovar seu bom estado físico – do qual ninguém duvida – tirando a camisa. Na minha cabeça, porém, vieram à tona imagens do tempo da escravidão em que os negros trazidos da África eram exibidos nus em praça pública para que os possíveis compradores comprovassem suas qualidades físicas para o trabalho escravo. Certamente na cabeça do Zé Roberto isso não passou. Mas, pelo olhar e sorriso do Paulo Odone, talvez transpareça aquele chamativo apelo do comprador de escravos: “vejam que bela peça adquiri”! Isso só reflete o modo como muitos dirigentes no Brasil enchergam seus jogadores de futebol, especialmente se são negros.

Dividir e desgovernar

Seria ingênuo imaginar que a corrupção e as conspirações brotaram de repente dos corredores do Vaticano: elas têm uma longuíssima tradição. A pergunta a ser feita é: por que tanta informação a esse respeito vem à luz ao mesmo tempo agora? Não se trata, decerto, de um esforço de transparência por parte do papado. Também não se trata de um deslize no uso da internet ou do trabalho de hackers, até porque as instituições eclesiásticas são conservadoras demais para fazer uso intensivo dessa ferramenta. Os vazamentos aconteceram à moda antiga, por meio de boatos e documentos em papel, ao velho estilo dos Pentagon Papers, de 1971, e do Caso Watergate, de 1973, que foram publicados em livro pelo jornalista Gianluigi Nuzzi.
Para desvendá-los, Joseph Ratzinger, o papa Bento XVI, nomeou uma comissão de três cardeais presidida pelo espanhol Julian Herranz, que conviveu por 22 anos com Josemaría Escrivá, o fundador da Opus Dei, escreveu um livro a seu respeito e é hoje o integrante da organização com mais alto cargo na hierarquia eclesiástica. O responsável, segundo eles, foi o mordomo do papa, Paolo Gabriele. Apanhado com documentos confidenciais e material para reproduzi-los em casa, foi preso em 24 de maio e pode ser condenado a 30 anos de prisão por “atentado à segurança” do Vaticano.

Leia a íntegra da reportagem da REvista Carta Capital em Dividir e desgovernar