De 06 a 09 de maio está acontecendo, em São Leopoldo, na Faculdades EST, o Congresso Estadual de Teologia. Dentro da programação, apresetamos uma comunicação que discute os resultados do Censo 2010 e como eles podem ser pastoralmente interpretados.
O arquivo que serviu de suporte para a apresentação pode ser acessado clicando no seguinte link: congressoestadualdeteologiapresentacaooral
O texto completo será publicado no próximo número de Cadernos da ESTEF.
O futuro com Francisco
Na tarde desta quarta-feira, 24 de abril, professores e estudantes da ESTEF estivemos reunidos para o Encontro Formativo do bimestre. Como tema da tarde de estudos, buscamos discernir sobre o significado e as perspectivas que se abrem com a eleição do Cardeal Bergoglio para “bispo de Roma” (como ele gosta de se afirmar).
No link abaixo estão textos que circulam na internet e que podem nos ajudar a continuar esta reflexão:
No dia 15 de abril tivemos a oportunidade de participar do Encontro dos Pastoralistas Capuchinhos da Grande Porto Alegre. Além da partilha e comunicações, tivemos a oportunidade de partilhar uma reflexão sobre o Novo Cenário Religioso do Brasil a partir dos dados do Censo 2010.Partilhamos no link abaixo o material que serviu de suporte à apresentaçao:
pastoralistas capuchinhos canoas
Bergoglio e o testamento de Martini
Wálter Maierovitch
O saudoso jesuíta Carlo Maria Martini, cardeal emérito de Milão, era conhecido como il mendicante con la porpora (o mendigo com veste púrpura de cardeal). Já em estado terminal, ele concedeu uma longa entrevista, considerada o seu “testamento espiritual”, à jornalista Federica Radice, do jornal Corriere della Sera. Na sua visão, “a Igreja está atrasada dois séculos”. E acrescentou: “A Igreja está cansada, a nossa cultura envelheceu, as nossas igrejas são grandes, as nossas casas religiosas estão vazias, o aparato burocrático cresce e os nossos ritos e os nossos hábitos são pomposos”. Em 2005, o progressista Martini, já com as mãos trêmulas pelo Parkinson, retirou a candidatura papal depois do primeiro escrutínio do conclave que elegeu, na quarta votação, o conservador Ratzinger, considerado o delfim de Wojtyla.
Foto: ©afp.com / Andreas Solaro
Sempre em dissenso com Bento XVI, o cardeal Martini sugeria uma nova Igreja, que deveria reconhecer os próprios erros e percorrer um caminho de radical mudança, “começando pelo papa e depois pelos cardeais e bispos”. Ele atacou o governo da Igreja, ressaltou o “subdesenvolvimento cultural que a alimenta” e enumerou, por ter imperado o silêncio, as consequências, a longo prazo, dos escândalos de clérigos pedófilos.
O “mendigo purpurado” contou ter preferido Jerusalém a Roma. Trocou o prestígio pelos estudos e pela atividade pastoral, que o colocava junto aos necessitados. Por evidente, levou para a sepultura o injusto carimbo de catto-comunista (católico comunista), em vez de iluminado progressista independente.
No pré-conclave e já com Ratzinger a desfrutar das instalações papais do majestoso Castel Gandolfo, fez-se sentir o “testamento espiritual de Martini”. Não demorou para os cardeais-, votantes e não votantes pela barreira dos 80 anos de idade, perceberem o exaurimento da obscurantista teologia do pontificado de Ratzinger. Fora o contragosto de Ratzinger haver jogado com o fato consumado. Por exemplo, ele adotou a sabedoria popular lusitana de não dever se passar de cavalo a burro. Assim, ajeitou, via entendimento do Conselho para Textos Legislativos da Santa Sé, sob a presidência do arcebispo Francesco Coccopalmério, o inusitado título de “papa emérito”. Mais ainda, garantiu o tratamento de “Santidade”, sem nada dizer sobre a infalibilidade em questões de fé, conforme admitido pelo Concílio Vaticano I, de 1868.
Também garantiu um “puxadinho” de luxo (convento em fase de reforma) para morar, sem dar bola ao constrangimento da situação de vizinho do Palácio Apostólico, onde ficam os aposentos reservados ao papa titular do trono petrino.
Embora a questão principal do conclave tivesse sido a reforma e a limpeza de uma Cúria protagonista de escândalos, traçou-se, no pré-conclave, um perfil, à Martini, para o novo papa. Ele deveria abandonar o fausto, ser humilde, caridoso e estar próximo às pessoas. Sem um papa com esse perfil, e era voz corrente, a Igreja jamais conseguiria virar recentes e inglórias páginas e, para repetir o historiador e jornalista Corrado Augias, “manter unida a sua missão espiritual e a natureza política de Estado”.
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Com efeito, escolheu-se o jesuíta Bergoglio. De pronto, ele abdicou do fausto e caiu no gosto de fiéis pela simplicidade e humildade. Ao deixar em segundo plano o título de papa e preferir o de bispo de Roma, conseguiu a inédita e imediata aproximação dos ortodoxos e dos anglicanos. Como se sabe, o bispo de Roma é apenas o da primeira Igreja, ao passo que o papa é o vigário de Cristo na terra, algo que lhe fixa um primado que causa afastamentos e desconfianças.
O nome Francisco, a fazer lembrar o de Assis, não cai bem em um jesuíta. Os jesuítas são os intelectuais da Igreja e Francisco de Assis achava que o conhecimento deveria ser desprezado, pois era manipulado e empregado como forma de dominação pelas elites ditas cultas.
Não se sabe ainda se o papa Francisco romperá o namoro que Ratzinger manteve com os lefebvrianos, apesar da excomunhão de Marcel Lefebvre em 1988 e da exclusão da Fraternidade Santo Pio X. O sucessor do falecido Lefebvre, fundador da fraternidade que conta com 500 sacerdotes, continua a não aceitar as regras do Vaticano II. Para Bernard Fellay, bispo-chefe da fraternidade, os inimigos da Igreja são “os judeus, os maçons e os modernistas”. No encontro de Castel Gandolfo, o emérito Ratzinger entregou ao titular Bergoglio um dossiê de 300 páginas sobre a aproximação com os lefebvrianos.
Enquanto isso, e a cumprir o compromisso com os eleitores, o papa Francisco vai designar, depois da Páscoa, um triunvirato de cardeais para dirigir e limpar a Cúria e o anexo Banco do Vaticano. Outra questão, por pressão dos cardeais alemães, será a reabertura da proposta, indeferida por Ratzinger, do recebimento de comunhão pelos separados e divorciados. Por enquanto, o papa Bergoglio vem sendo definido pelos italianos como “conservador popular” e “matou” Ratzinger logo que entrou em campo como o novo dono da bola.
Clicar, em vez de viver, tornou-se norma
Por Marsílea Gombata
Em meio ao burburinho da sala onde fica o quadro Mona Lisa, no Museu do Louvre, em Paris, o fotógrafo Fabio Seixo percebeu algo não exatamente errado, mas exagerado. Os visitantes se espremiam para disparar os flashs da máquina e ter a foto de uma das imagens mais intrigantes e conhecidas do mundo. A guerra para fotografar a musa enigmática imortalizada por Leonardo da Vinci revelava, ali, algo maior: a necessidade de se vivenciar, por meio da foto, a experiência do presente.
“É uma imagem tão icônica quanto aquela de Che Guevara (feita por Alberto Korda em 1960). Pensei: ‘Nossa, que loucura. Será que as pessoas não conhecem a Mona Lisa?’ Então tive um estalo e vi que elas, na verdade, viajam muito mais para marcar território e dizer que estiveram lá do que para curtir a viagem”, reflete.

As redes sociais aumentaram a febre da fotografia. Fotos: Fábio Seixo
A experiência em 2005 fez germinar uma semente batizada de Photoland. O projeto, que tem pretensão de virar livro depois de ter ganho exposições no Rio de Janeiro e espaço no festival Paraty em Foco, busca refletir de que modo o ato de fotografar se tornou mais importante do que a vivência e como, em uma espécie de compulsão, ganha fôlego no fértil terreno da tecnologia digital. “Quando você está na Torre Eiffel, se fotografa ali e posta essa imagem, está afirmando sua presença nesse lugar, dizendo que esteve lá”, fala o autor sobre o que considera uma experiência narcisista. “A câmera é um anteparo entre você e as coisas. Então, quando se fotografa, deixa-se de viver o presente para vivenciar a experiência de estar fotografando.”
Foi a possibilidade de mergulhar no universo da escrita com luz que lhe permitiu a reflexão sobre essa dinâmica. O fotógrafo nascido no Rio de Janeiro tem contato com o ofício desde a infância, quando frequentava a redação da extinta Iris Foto, revista histórica com auge nos anos 1970 e 1980, cuja editora era da família de sua tia. Ao concluir a faculdade de jornalismo, não teve dúvida sobre qual caminho seguir e foi trabalhar como fotógrafo de jornal diário. A experiência durou cinco anos. Em 2004, tornou-se autônomo.
Ao refletir sobre a experiência do mundo da fotografia digital atrelada ao narcisismo, existe a intenção de transformar o ato de fotografar em paisagem. A fotografia passa a fazer o papel da natureza, instaurando-se como realidade física. Seixo observa que a intenção de debater os fotógrafos amadores em ação como se fossem paisagem vem da própria imagem autobiográfica. Até que ponto o autor da foto faz parte da cena? “Nesse ato, acabamos perdendo a paisagem. É como se ela não tivesse importância e nós nos tornássemos a própria.”

Metalinguagem. “Você fotografa não mais para guardar o momento, mas para esquecer”, afirma Fábio Seixo, do projeto Photoland
Na fotografia da fotografia, os cartões-postais não são a Torre Eiffel, o Coliseu, o Empire State Building ou o Buckingham Palace. São, no lugar, quem ali esteve na busca por um arquivo fotográfico cada vez mais amplo. Os traços sobre a necessidade de ser visto são propositais na obra. “O projeto esbarra na questão da visibilidade. Não basta ser um bom médico, um bom professor ou um bom jornalista se você não estiver referendado pelos dispositivos de visibilidade, como mídia e redes sociais”, analisa. “Isso, paradoxalmente, denota o quanto estamos nos tornando uma fotografia de nós mesmos. Não sabemos mais quando estamos posando ou sendo natural. É como se estivéssemos o tempo todo representando um personagem.”
A ideia é refletida de forma parecida em projetos de outros artistas pelo mundo, como o Into The Light, do alemão Wolfram Hahn, que busca imortalizar o momento em que os indivíduos tiram fotos de si mesmos, ou o Too Much Photography, no qual o britânico Martin Parr retrata o frenesi de turistas em pontos conhecidos pelo mundo. Ambos são apreciados por Seixo.
Da observação na sala do Louvre até hoje, Seixo viajou a várias partes do mundo para realizar o projeto. Além da França, passou por Estados Unidos, México, Inglaterra, Itália, Peru, e, é claro, sua cidade natal. O próximo destino do Photoland é o Japão, país-chave do projeto cujo nome faz alusão à Disneyland.
“Hoje estamos todos virando meio japoneses, que têm uma semana de férias e viajam com a câmera fotografando tudo. É como se tivessem a experiência da viagem somente depois, vendo as fotos.”
Soma-se a isso a proporção alcançada graças às redes sociais, alimentadas pela necessidade de likes sobre comentários e fotografias postadas na internet. Uma febre ligada ao desejo de registrar tudo para todos que, ele confessa, cansa. “Quando você fotografa muito, o excesso de imagens gera um ruído e anula qualquer possibilidade de memória por causa da quantidade. Assim, quanto maior seu arquivo pessoal, menos sentido ele faz.”

Clicar, em vez de viver, tornou-se norma
Na busca pelo silêncio e pela distância dos ruídos, Seixo tenta formas de escapar desse ciclo, como correr e observar o raiar do dia. É o momento em que se permite desligar o celular e deixar o tempo passar, sem registro, horário ou compromisso. Além do trabalho com moda e publicidade, é professor de Fotografia e desenvolve outros trabalhos autorais, entre eles Marca-D’água, que mostra o impacto das chuvas de 2011 na região serrana do estado do Rio de Janeiro por meio das lonas utilizadas pelos moradores para cobrir as encostas e se proteger.
Segundo ele, o fato de a fotografia ser o maior hobby do mundo e estar, cada vez mais, facilitada pelo acesso à tecnologia enfraquece a ferramenta: “A fotografia, que sempre foi um instrumento de memória, passa a ser um dispositivo do esquecimento. Você fotografa não mais para guardar o momento, mas para poder esquecer. É como se cada vez que você apertasse o botão, aquela imagem fosse para um buraco negro”.
EL PAPA FRANCISCO ADVIERTE A LOS SACERDOTES DE QUE LA INSATISFACCION PROVIENE DE NO SALIR DE SI MISMOS
Ciudad del Vaticano, 28 marzo 2013 (VIS).-
El Papa Francisco ha advertido esta mañana a los sacerdotes católicos del mundo entero que “la insatisfacción de algunos sacerdotes que terminen tristes y convertidos en una especie de coleccionistas de antigüedades o bien de novedades, proviene de salir poco de sí mismos y perderse lo mejor de nuestro pueblo”. Y el Papa les ha dicho con fuerza que no quiere ese tipo de sacerdotes, que en vez de mediadores se han convertido en gestores, y les ha manifestado su deseo: “¡Esto es lo que yo os pido: que seáis pastores con el olor de la oveja! Y que así se perciba.”
Casi 10.000 personas han asistido a esta solemne Misa Crismal del Jueves Santo celebrada en la Basílica de San Pedro, presidida por el Santo Padre y concelebrada por todos los cardenales, patriarcas, arzobispos, obispos y presbíteros, y con el servicio de diáconos y religiosos, todos ellos presentes en Roma y que sumaban cerca de dos mil.
En su homilía, Francisco también ha señalado que “la prueba más clara para reconocer al buen sacerdote es fijarse en “cómo su pueblo anda ungido” y, por el contrario, ha añadido que “no es precisamente en autoexperiencias ni en introspecciones reiteradas donde vamos a encontrar al Señor: los cursos de autoayuda en la vida pueden ser útiles, pero vivir pasando de un curso a otro, de un método a otro, de método en método, lleva a hacernos pelagianos, a minimizar el poder de la gracia la cual se activa y crece en la medida en que salimos con fe a darnos y a dar el Evangelio a los demás”.
Estos mensajes han sido desarrollados a lo largo de una homilía en la que el Papa Francisco ha comenzado recordando a todos los sacerdotes -incluyéndose a sí mismo-, el día de su ordenación como ministros sagrados. En este contexto, el Papa ha explicado lo que significa ser ungidos: “ser para” los demás, y se ha detenido en el sentido de las vestimentas. “Al revestirnos con nuestra humilde casulla, bien podemos sentir sobre los hombros y en el corazón, el peso y el rostro de nuestro pueblo fiel, de nuestros santos y de nuestros mártires… ¡Que en nuestro tiempo, son tantos!”, ha exclamado el nuevo Papa.
Francisco se ha detenido asimismo en detallar cómo la belleza de lo litúrgico -“que no es puro adorno y gusto por los trapos”, ha dicho-, esta destinada a la acción que se espera del sacerdote: “La unción no es para perfumarnos a nosotros mismos, ni mucho menos para que la guardemos en un frasco, ya que el aceite se pondría rancio… Y amargo el corazón”.
El Santo Padre ha detallado incluso detalles concretos para animar a los sacerdotes en su misión pastoral y ha comentado: “Nuestra gente agradece el evangelio predicado con unción, agradece cuando el evangelio que predicamos llega a su vida cotidiana, cuando baja como el óleo de Aarón hasta los bordes de la realidad, cuando ilumina las situaciones límites, «las periferias» donde el pueblo fiel está más expuesto a la invasión de los que quieren saquear su fe. Nos lo agradece porque siente que hemos rezado por las cosas de su vida cotidiana, por sus penas y alegrías, por sus angustias y sus esperanzas. Y cuando siente que el perfume del Ungido, de Cristo, llega a través nuestro, se anima a confiarnos todo lo que quieren que le llegue al Señor: «Rece por mí, padre, que tengo este problema…», «Bendígame» y «rece por mí»”, ha contado Francisco.
“Lo que quiero señalar -ha continuado el Papa-, es que siempre tenemos que reavivar la gracia e intuir en toda petición -a veces inoportunas, a veces puramente materiales, incluso banales, pero lo son sólo en apariencia–, el deseo de nuestra gente de ser ungidos con el óleo perfumado, porque sabe que lo tenemos. Intuir y sentir como sintió el Señor la angustia esperanzada de la hemorroísa cuando tocó el borde de su manto”.
Antes de terminar su homilía, el Santo Padre se ha dirigido también a los fieles laicos a los que ha pedido que se muestren cercanos a los sacerdotes: “acompañad a vuestros sacerdotes con el afecto y la oración, para que sean siempre Pastores según el corazón de Dios”.
En esta Misa Crismal, que abre el Triduo Pascual de la Semana Santa y cuyo rito se celebra en todas las catedrales del mundo, los sacerdotes han renovado las promesas sacerdotales -de pobreza, castidad y obediencia-, y el Papa ha bendecido los óleos de los catecúmenos y de los enfermos, y el crisma -aceite y bálsamos mezclados- que se utilizará para ungir a los que se bautizan, a los que se confirman y para la ordenación sacerdotal.
Papa Francisco decide continuar morando na Casa Santa Marta

O Papa Francisco decidiu ficar morando, “até segunda ordem” na Casa Santa Marta, no Vaticano, instalações simples e modernas onde se hospedou juntamente com os outros cardeais para o conclave que o elegeu pontífice em 13 de março.
Francisco, cujos primeiros dias de pontificado foram marcados por atitudes humildes e avessas ao luxo e à ostentação, afirmou que aprecia ficar “junto com os outros membros do clero”, em vez de mudar para as amplas instalações do apartamento papal, anunciou nesta terça-feira (26) o porta-voz do Vaticano, padre Federico Lombardi.
Lombardi afirmou que o apartamento papal está “pronto”, após pequenas reformas feitas depois da saída do agora Papa Emérito Bento XVI, mas que Francisco ficará “até nova ordem” na Casa Santa Marta.
O porta-voz não explicou se o Papa pretende se mudar para o apartamento oficial -que consiste em mais de uma dúzia de quartos, bem como quartos para funcionários e um terraço- mais tarde.
Nos últimos dias, Francisco saiu de um quarto único da residência, que tem cerca de 130 quartos, para uma suíte, de forma a ter mais espaço para trabalhar e receber as pessoas, disse Lombardi.
Francisco estabeleceu um tom mais austero para o papado em relação a seu antecessor Bento XVI, que ganhou uma reputação de adotar costumes suntuosos.
Lombardi disse que o papa gosta da atmosfera da residência onde ele vive junto com outros clérigos.
O papa reza uma missa na capela local todas as manhãs e convida os trabalhadores do Vaticano e outros convidados a participar.
“Eu não posso fazer previsões a longo prazo, mas por enquanto parece que ele está fazendo experiências com este tipo simples de habitação”, disse Lombardi.
“Esse ainda é um período de tempo para se acostumar com as coisas, de experimentação. Certamente, nessa fase ele manifestou o desejo de ficar onde está”, disse o porta-voz.
Lombardi disse que o papa vai usar os escritórios no Palácio Apostólico e suas grandes salas de recepção para atender chefes de Estado e delegações, e continuará a aparecer a cada domingo para conceder uma bênção a partir da janela do apartamento papal com vista para a Praça de São Pedro.
Obama e a alternativa laica
Por Walter Maierovitch em http://www.cartacapital.com.br/internacional/obama-e-a-alternativa-laica/
A secularização da sociedade avança no Ocidente de forma irreversível. Daí muitos perguntarem como a eleição e o início do papado de Francisco puderam atrair tanto a atenção e ter deslocado, para a missa inaugural, grande número de chefes de Estado e de governo. A resposta, por vozes seculares e à frente o renomado historiador Jacques Le Goff, é que a Igreja ainda influenciará por muito tempo.
O papa emérito Bento XVI com seu sucessor, Francisco. Foto: Osservatore Romano
Na missa, não passou despercebido aos vaticanistas e aos historiadores a ausência do presidente dos EUA, Barack Obama, representado pelo vice. É que a Conferência Episcopal dos Estados Unidos apoiou, na primeira eleição e na reeleição de 2012, o Partido Republicano, apelidado de “partido dos ricos”.
As iniciativas legislativas dos democratas, em particular a reforma sanitária de Obama a incluir o tema aborto, enfureceram os integrantes de uma conferência liderada pelo midiático Timothy Dolan, cardeal arcebispo de Nova York. Até os jesuítas entraram no lobby anti-Obama. Na revista quinzenal Civilização Católica, produzida pelos jesuítas, repercutiu o artigo de Luciano Larivera: “Muitos bispos perceberam em Obama, mais do que um reformador social, um aliado da cultura laica e de uma religião intelectual e individualista. Obama contribuirá à crescente secularização dos jovens e à transformação do partido democrático, em um tempo não muito longo, numa alternativa laica como aconteceu com os socialistas Zapatero, na Espanha, e Hollande, na França”.
Apesar do lobby anti-Obama pela Conferência Episcopal norte-americana, os católicos votaram em peso em Obama. Um detalhe: na reeleição de 2012, deixaram a ver navios a dupla mórmon-católica dos republicanos Romney e Ryan. Fora isso, e o cardeal Dolan nem foi consultado, a prestigiosa revista Catholic Health Association aplaudiu, num importante contraponto, a proposta reformadora de Obama em matéria de assistência médico-sanitária.
Para a eleição de Bergoglio tiveram fundamental peso os votos, em bloco, dos 14 cardeais norte-americanos, todos com a bandeira reformista da Cúria. Na verdade, isso aconteceu por mais uma bola fora do trapalhão cardeal Tarcisio Bertone, chefão da Cúria ao tempo do papado de Ratzinger e que lançou, para manter o status quo sobre o controle verticalizado e absoluto de poder administrativo-temporal, o candidato dom Odilo Scherer, que não conseguiu unanimidade nem entre os seus pares brasileiros.
A propósito, o linha-dura monsenhor Carlo Maria Viganò, então secretário do governadorato do Vaticano, enviou a Bento XVI uma detalhada e indignada carta sobre má gestão e corrupção na Santa Sé, cujo responsável era Bertone, secretário de Estado. Tal carta estava entre os documentos repassados à mídia pelo grupo de “corvos” vaticanos e que resultou, pelo furto, na condenação, com posterior perdão, do então mordomo papal.
Em janeiro de 2012, o teor da carta foi revelado no programa televisivo italiano Gli Intoccabili (Os Intocáveis). A título de eufemística promoção, Viganò foi enviado a Washington como núncio e em face da morte de Pietro Sambi. Logo após assumir como diplomata encarregado da ligação entre o papa e a Conferência Episcopal norte-americana, ganhou a consideração dos cardeais, que cerraram fileiras contra Bertone e a corrupção na Cúria. Viganò, dos EUA, continuou a torpedear Bertone, com total apoio dos integrantes da conferência, que passaram a ter, como afirmou o cardeal Dolan, informações importantes e até dados sobre as fofocas do Vaticano. Em síntese, os 14 cardeais norte-americanos chegaram a Roma prontos a eleger um papa capaz de “limpar” a Cúria de Bertone, um elefante em loja de cristais, pois nunca pertenceu, ao contrário de Scherer, à diplomacia eclesiástica.
O papa Francisco tem o compromisso eleitoral de reformar a Cúria e já se fala num triunvirato de cardeais designados para a tarefa. Para os vaticanistas, Francisco não terá condições de enfrentar tudo sozinho, pois, ao contrário de Pio XII e Paulo VI, nunca, antes de ser eleito papa, atuou como gestor. E ao triunvirato será passado o relatório que investigou o caso VatiLeaks, deixado por Ratzinger ao seu sucessor e guardado no cofre dos aposentos reservados ao papa.
Para o bom entendedor, Francisco deixou claro que trocará a verticalização curial pelo poder horizontalizado, a aproveitar os sínodos, consistórios e conferências. Será um pontificado colegiado. Ao preferir o título de bispo de Roma, não se coloca como “vigário de Cristo” na terra. Ou seja, o único em condições, nas questões de fé, de contar com a infalibilidade, conforme reconhecido ao papa no Concílio Vaticano I, de 1868.
Num pano rápido, começou a corrida contra o tempo e muitos apostam que o papa usará a vassoura, mas manterá, nas questões de fé, o perfil de conservador popular.
Grupo ‘sem religião’ cresce especialmente entre jovens e se torna desafio a igreja
REINALDO JOSÉ LOPES, COLABORAÇÃO PARA A FOLHA
Quando desembarcar no Rio de Janeiro em julho deste ano para participar da Jornada Mundial da Juventude, principal evento internacional da Igreja Católica voltado para o público jovem, o papa Francisco talvez se sinta um tanto deslocado. E não apenas pela forte presença de evangélicos no Rio (uns 25% da população do Estado), mas também porque a periferia carioca é um dos lugares do país onde há mais gente que diz não ter religião.
As periferias de cidades como Recife, Salvador e São Paulo também abrigam um contingente de não religiosos superior à média nacional, de acordo com estudo da FGV (Fundação Getulio Vargas).
A orientação não religiosa está se tornando cada vez mais comum entre os jovens, o que leva especialistas a apontar o fato como um desafio tão ou mais importante que o avanço evangélico para o catolicismo.
“O movimento mais preocupante para a igreja não é o de quem muda de religião, mas o de quem simplesmente não se interessa por ela”, diz Dario Rivera, professor da Universidade Metodista de São Paulo que coordena o grupo de pesquisa Religião e Periferia na América Latina.
“O que nós estamos vendo é que, nos mesmos bairros de baixa renda onde há uma proliferação de igrejas pentecostais [evangélicas], uma quase colada na outra, há muita gente que diz não ter religião”, conta.
São lugares aparentemente improváveis, como bairros rurais de Juiz de Fora (MG), a favela do Areião, em São Bernardo do Campo, e os pontos mais pobres do bairro de Perus, na capital paulista.
Improváveis, isto é, quando se assume a equação entre baixa renda e alta religiosidade.
“A verdade é que essa é uma hipótese consensual que nunca foi testada”, declara Rivera. Para o pesquisador, essas comunidades de baixa renda têm uma relação muito pragmática com a religião, escolhendo a igreja que lhes oferece assistência ou, no caso das mulheres, o culto onde podem achar um marido “direito”, por exemplo. Resolvidos esses problemas, a frequência religiosa não é mais necessária.
“TOTALFLEX”
Desse ponto de vista, a flexibilidade das igrejas evangélicas acaba fazendo com que elas abocanhem mais ovelhas desgarradas do rebanho católico, diz André Ricardo de Souza, professor do Departamento de Sociologia da UFScar (Universidade Federal de São Carlos).
“Além do discurso mais objetivo, como o uso de slogans do tipo ‘aqui o milagre acontece’, essas igrejas estão abertas todos os dias da semana, praticamente o dia todo. Você entra e resolve seu problema, enquanto a igreja católica da paróquia passa a maior parte do tempo fechada”, afirma o pesquisador.
Segundo Rivera, os sem religião nas comunidades pobres também se explicam pela revolução nos costumes: grande liberdade sexual, uniões provisórias e outros elementos que não batem com a moralidade religiosa tradicional.
A situação do Brasil é única por combinar um grande avanço dos evangélicos com o dos sem religião. No caso dos evangélicos, o fenômeno também é importante no Chile e na Guatemala, mas em menor grau, diz Rivera. Já os não religiosos têm representação expressiva na Argentina (11%) e no Chile (8,3%).
A questão levantada por quase todo mundo, claro, é que diferença um papa latino-americano pode fazer nesse cenário. “É claro que um papa latino-americano tem um impacto. Não digo que reverta o aumento dos evangélicos, mas talvez faça o ritmo diminuir”, afirma Souza.
Rivera é mais pessimista. “Podem até acontecer mudanças na liturgia [nos rituais]. Mas o problema é que nada no perfil do papa Francisco indica que ele mudará a relação da igreja com a modernidade, e esse que é o grande problema.”
Brasileiro aprova novo papa, mas quer Franscisco mais liberal, diz Datafolha
ROGÉRIO ORTEGA DE SÃO PAULO
A grande maioria dos brasileiros aprovou a escolha do cardeal argentino Jorge Mario Bergoglio para chefiar a Igreja Católica. Ao mesmo tempo, boa parte deles gostaria que a igreja liberalizasse suas posições em temas como contracepção e divórcio.
Esse é o resultado de pesquisa nacional feita pelo Datafolha em 20 e 21 de março, uma semana depois do conclave que elegeu o papa Francisco -primeiro latino-americano e primeiro jesuíta no comando da Santa Sé. A margem de erro do levantamento é de dois pontos percentuais.
Dos 2.653 entrevistados pelo Datafolha em 166 municípios, a maioria, 58%, definiu-se como católica -número próximo dos últimos dados do IBGE, de 2010, segundo os quais 64,6% da população brasileira professa o catolicismo. Outros 21% se disseram evangélicos pentecostais.
A eleição de Bergoglio foi considerada ótima ou boa por 74% das pessoas ouvidas pelo instituto e regular por 9%; só 2% dos entrevistados a acharam ruim ou péssima.
O levantamento revela também em que medida boa parte dos brasileiros -incluindo os que se dizem católicos- discorda de uma série de posições tradicionais da igreja.
A divergência mais acentuada diz respeito ao uso de métodos artificiais para evitar a concepção. Para 83% dos entrevistados, o papa Francisco deveria orientar a igreja a se posicionar a favor do uso de preservativos; 77% defendem que faça o mesmo em relação à pílula anticoncepcional.
A pesquisa mostra ainda que 61% dos brasileiros são favoráveis a que o papa aceite o uso, pelas mulheres, da “pílula do dia seguinte” contra a gravidez. O método é considerado abortivo pela igreja.
Desde a encíclica “Humanae Vitae”, divulgada pelo papa Paulo 6º em 1968, a Igreja Católica define os métodos artificiais de contracepção como “intrinsecamente maus”, mas vê os métodos naturais como moralmente permissíveis -orientação reiterada por todos os papas seguintes.
Em 2010, Bento 16 chegou a declarar que o uso de preservativo, em casos especiais, era uma espécie de mal menor, por evitar a contaminação pelo vírus HIV.
Na época, porém, o Vaticano se apressou em esclarecer que a posição doutrinária não mudara.
A maioria das pessoas ouvidas pelo Datafolha também acha que Francisco deveria orientar a igreja a se tornar favorável ao divórcio (58%), permitir que mulheres sejam ordenadas e possam rezar missas (58%) e acabar com o celibato dos padres (56%).
Aborto e casamento gay, por sua vez, são os tópicos em que a maior parte dos brasileiros está de acordo com a orientação católica: 54% e 57%, respectivamente, defendem que a igreja continue se posicionando contra os dois.



